A personagem Thirteen, que na série "House" interpreta uma bissexual

Quando aceitei a minha bissexualidade, precisava extravasar. Como contei no último post, para beijar uma mulher sem culpa, terminei um namoro de longos anos (com um homem).

Antes de entrar em uma sala de bate-papo, tentei ir com algumas amigas lésbicas a baladas GLS. Foi em vão. Eu não conseguia conversar com as meninas, nem abordá-las. Quando se é “heterossexual” a vida de solteira, digamos, é mais fácil. Você não precisa abordar os homens, eles vêm até você. Com as mulheres é diferente – isso se você é feminina e busca uma mulher feminina. É um jogo de olhares até aguardar o tão esperado primeiro oi.

Mas comigo não funcionava. Minha timidez barrava todo o jogo de olhares e eu desviava. Não conseguia permanecer por muito tempo naquele jogo. Era algo muito diferente, quase impossível. Com homens eu parecia dominar a situação, com as mulheres era outra coisa. Elas pareciam dominar o campo da sedução.

Desisti de ir a baladas e não encontrar ninguém interessante. Hoje, talvez, eu soubesse mais facilmente os melhores lugares para frequentar ou saberia (talvez) como fazer uma boa abordagem. Mas naquele momento era muito difícil fazer tudo aquilo. E todas as noites eu bebia para tentar vencer a timidez e saia do lugar morrendo de vontade de beijar uma mulher.

No começo, quando eu me dava por vencida, e percebia que naquela noite não iria beijar uma mulher interessante, aceitava ficar com um homem. Pode acreditar, muitos homens heteros frequentam baladas GLS e te abordam a todo momento. E muitos eram fofos, umas graças. Para um deles eu cheguei a falar que o meu objetivo naquela noite era uma mulher. Ele não se importou. Disse que me ajudaria a conseguir uma mulher e no final me “convenceu” de ficar com ele a noite inteira. Queria me levar para casa, minha amiga não deixou. E eu não fui. Ele me ligou por algumas vezes nas semanas seguintes, falou comigo por MSN. E eu fui sincera. Disse que naquele momento não daria certo sairmos de novo. E ele foi respeitoso, como um cavalheiro que qualquer homem deveria ser.

Para quem pensa que ser bissexual é uma escolha ou talvez uma fuga, sinto muito lhe dizer: não é uma escolha, nem uma frustração com a ala masculina. Pelo contrário, eu estava muito bem nesse aspecto e não tinha do que reclamar. Eu só precisava viver algo muito intenso com uma mulher.

Não importa a sua sexualidade, importa com quem você está e se essa pessoa te faz bem. Os bissexuais sofrem, de certa forma, mais preconceito do que os homossexuais. Sofrem dos heteros (porque eles não acreditam que é possível gostar dos dois sexos) e dos homossexuais (porque acham que os bissexuais têm medo de assumir completamente a homossexualidade).

Em alguns bate-papos você é, inclusive, rejeitada por algumas meninas. “Não gosto de bissexuais, porque elas podem te largar por um homem a qualquer momento e podemos ser uma mera aventura”, diziam elas. E eu respondia: “Mas uma lésbica convicta também pode te largar a qualquer momento”. Outras já achavam interessante, porque sabem que, geralmente, as bissexuais são mais femininas.

Bissexualidade existe e ponto. Sei que posso estar feliz (também sexualmente) tanto com um homem quanto com uma mulher. E se alguém não acredita nisso, a gente não se importa. Sobra mais.

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