Cena do filme brasileiro "Como esquecer", em que a atriz Ana Paula Arósio interpreta uma lésbica

Assumir para si mesmo a bissexualidade é um processo complicado. Primeiro porque se você é bi, provavelmente não tem nenhum problema com homens. Eles te satisfazem de todas as formas. Além do que, é muito “mais fácil” assumir um relacionamento com um homem. Mas a atração por mulheres é inegável – e às vezes incontrolável. No começo, você pensa que é só um desejo, algo repentino. “Nunca me apaixonaria por uma mulher”, era a frase que eu repetia para mim mesma.

Mas então, chegou um momento em que eu não tinha mais controle sobre isso. Eu precisava dessa experiência. Primeiro aconteceu com uma amiga. Ela me abordou no banheiro e aconteceu (se quiser saber mais, leia esse post). Mas não foi o suficiente. E eu precisava de mais experiências. Então meu segundo passo foi entrar em um bate-papo. E depois de alguns encontros, uma delas fez com que eu realmente me descobrisse bissexual. E você só percebe isso quando realmente se apaixona. Caso contrário, continua achando que é só um desejo (mas é do desejo que tudo começa, pode acreditar).

E quando essa paixão acontece, alguns amigos heterossexuais dizem: você é lésbica e agora se descobriu. E só você sabe que, na verdade, não importa o sexo da pessoa. Mas sim, com quem você está, as qualidades, a afinidade, enfim, tudo o que faz você gostar de alguém.

Os gays e lésbicas também embarcam nesse mesmo preconceito, como comentei em outro post. Eles também acham que os bissexuais são enrustidos ou que só querem curtição. Mas repito novamente: fui feliz com ambos os sexos em todos os sentidos. Cada um tem a sua particularidade em momentos mais íntimos, mas tanto o homens quanto a mulheres podem ser incríveis parceiros.

Um grande erro das mulheres – o que também foi o meu – é começar a conhecer o outro sexo enquanto você está namorando. E achar que isso não vai mudar o relacionamento. Quando beijei a primeira menina, decidi contar para o meu namorado. Foi algo “inocente”, que eu realmente não considerei como uma traição, mas sim como uma “brincadeira”. E para a minha surpresa, ele também não achou que fosse algo que afetasse o relacionamento. Aceitou. E esse também foi um problema. Porque eu quis continuar.

Algumas mulheres (conheço uma pelo menos) conseguem lidar com isso bem, pois têm parceiros liberais e conseguem ter aventuras com mulheres sem abrir mão do namorado. E outras, como aconteceu comigo, acabam percebendo que é preciso ir além. Se você se descobre bissexual, deve saber que não há espaço para aventuras. É preciso se decidir entre o homem ou a mulher, pelo menos enquanto o namoro durar. Depois você pode mudar de ideia. Não há limites para o que sentimos, desde que sejamos honestos com a gente mesmo e, claro, com o parceiro.

Grande abraço!

blogsoubi@gmail.com