A atriz Evan Rachel Wood afirmou no ano passado à revista americana Esquire que é bissexual

Quando a gente se descobre bissexual, pode não ser tão fácil aceitar a “novidade” inicialmente. A maioria das bissexuais não consegue enxergar a possibilidade de namorar uma mulher nos primeiros anos de vida.

Quando nos deparamos com essa possibilidade, até chegamos a nos esforçar para não deixar isso acontecer. O pensamento de “vou continuar a namorar homens” ganha força quando olhamos para uma mulher e pensamos: “Como eu gostaria de estar com ela”. E fazemos de tudo para esquecer esse desejo que não sai dos nossos sonhos e da nossa rotina diária. É fácil esquecer de tudo isso quando se está com um homem. Mas fica quase impossível controlar quando estamos frente a frente com AQUELA mulher.

A primeira experiência homossexual é emocionante. O coração quer saltar pela boca ao mesmo tempo que nos sentimos a pessoa mais estranha do mundo. É bem diferente de beijar um homem. O beijo é mais macio, o toque, nem se fala. Depois de viver isso pela primeira vez, você pode até se esforçar para não repetir a dose. Mas é difícil não repetir. Conheço poucas mulheres que não repetiram. Obviamente existem as exceções – você pode experimentar e perceber que tudo não passou de uma curiosidade e que, na verdade, você não gosta realmente de mulher.

Mas quando percebemos que somos mesmo bissexuais (ou lésbicas), precisamos criar alguns mecanismos para nos sentirmos melhor em relação a isso. Eu criei alguns que gostaria de compartilhar com vocês. Se alguém tiver outros, por favor, também compartilhe por aqui.

- Entenda que isso é absolutamente natural. Muitas mulheres são lésbicas ou bissexuais no seu ambiente de trabalho e até no seu convívio familiar, mas você não sabe disso por conta do preconceito da sociedade

- Frequente lugares GLS. Por lá, você vai perceber que existem lésbicas e bissexuais de todos os tipos. Femininas, masculinas, tatuadas, executivas e por aí vai. Perceber que esse universo é vasto e conseguir visualizá-lo nos faz sentir muito melhores

- Veja filmes e seriados com a temática GLS. Os filmes que mais me ajudaram a conviver melhor com a ideia foram: “Desejo Proibido” ; “Amigas de colégio” ; “Elena Undone” ; “Como esquecer”. Mas, sem dúvida, você não pode deixar de ver o seriado lésbico ”The L World”

- Converse sobre isso naturalmente com gays, lésbicas e amigos. Tratar o assunto de forma natural ajuda a entender que o preconceito só existe porque alguém o criou. E da mesma forma que ele foi criado, ele pode deixar de existir

- Leia matérias e livros sobre o assunto. Eles ajudam a entender que isso não é e nunca foi uma doença. Você também conhecerá sociedades antigas e matriarcais e verá que a homossexualidade é muito mais antiga do que você imaginava. Isso quer dizer que não é um modismo, ela sempre existiu

- Conheça histórias parecidas com a sua. É bom criar essa “identificação”. Comecei a conhecer muitas histórias em bate-papos como o do UOL. Quando criei o blog, essa identificação foi ainda maior. Você descobre que existem muitas pessoas na mesma situação que você e junto a elas é mais fácil tomar decisões e atitudes

- Flerte com mulheres de forma natural, sem medo de achar que isso pode ser algo errado. Obviamente é mais fácil tentar descobrir antes se ela(a) também sente atração pelo mesmo sexo

- O seu mundo ficou bem mais amplo, agora você pode se apaixonar por um homem ou por uma mulher e ser muito feliz. A única regra é realmente ESCOLHER um dos dois quando se quer um relacionamento. Depois que terminar (e se terminar), você pode ESCOLHER de novo. Só não vale machucar os outros

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