Na mesma mesa do bar GLS citada no último post – em que eu debatia com dois casais homossexuais sobre a temática gay –, outra polêmica surgiu.

De onde vem a homossexualidade? A resposta foi quase unânime: pode ser genética ou fruto de um trauma da infância. Dentre esses traumas estariam a falta de uma das figuras de criação (o pai ou a mãe) ou um abuso sexual.

Acredito que possa ser algo genético, assim como a heterossexualidade. Ou seja, algo natural do ser humano. Mas discordo quando afirmam que a homossexualidade está relacionada a algum trauma. Por um simples motivo: acreditar nisso, é quase como acreditar que ser gay é uma doença ou um problema psicológico. Ou seja, se pensarmos assim, uma parcela da sociedade começará a ter atração por pessoas do mesmo sexo porque algo deu errado na vida delas. O que significa que seria possível “tratar” esse trauma.

Quem já leu um pouco sobre o assunto sabe que em 1975 a Associação Americana de Psicologia declarou que a homossexualidade (e bissexualidade) não é uma doença. Ela também não é um desvio sexual. Se você ouvir algum psicólogo dizendo que pode curar a homossexualidade fuja dele o mais rápido que puder. Desde 1999 existem regras para a atuação de psicólogos em relação a questões de orientação sexual e eles não podem prestar nenhum tipo de cura ou tratamento em relação a isso.

Segundo alguns estudos, a busca pela explicação da homossexualidade pelos traumas de infância também é um mito. A  Royal College of Psychiatrists, principal organização profissional de psquiatria da Inglaterra, apontou que não há nenhuma evidência substantiva para apoiar a “sugestão de que a natureza da criação dos filhos ou que as primeiras experiências da infância desempenham qualquer papel na formação da orientação de uma pessoa heterossexual ou homossexual”. Para a associação, a orientação sexual seria de natureza biológica, determinada por uma complexa interação de fatores genéricos. Isso significa que ser gay, lésbica ou bissexual não é uma escolha. Nós nascemos assim. A diferença de pessoa para pessoa é que alguns descobrem antes e outros descobrem (bem) tardiamente.

Para termos uma ideia do quão natural é a homossexualidade e a bissexualidade, podemos observar o reino animal. Uma pesquisa feita em 1999 pelo pesquisador Bruce Bagemihl mostrou que o comportamento homossexual foi observado em cerca de 1500 espécies.

Na humanidade não se sabe quantas pessoas são homo e bissexuais, justamente porque nem todos contam esse “segredo”. Quem sabe, daqui a alguns anos, poderemos ter uma ideia mais clara de como a natureza realmente é. Enquanto isso, já ficamos tranquilos em saber que não há nada de errado com as pessoas que não são heterossexuais.