Quando o desejo de beijar uma mulher começou a se tornar incontrolável, decidi extravasar entrando no bate-papo do UOL para lésbicas.

O primeiro dia foi engraçadíssimo. Conheci uma menina de uns 20 anos, que se achava a última bolacha do pacote. Ela dizia: é a primeira vez que você entra aqui e logo já me conhece? Você tem mesmo muita sorte, nem todas as meninas são tão bonitas quanto eu”. Logo pensei: “Vai ser fácil não me apaixonar por nenhuma mulher se todas forem assim.”

Então comecei a minha “saga” para encontrar alguém legal, pelo menos para conversar. Não é nada fácil. Quem pensa em namorar mulher porque costuma achar os homens idiotas, esqueça já essa teoria. Há mulheres tão ou mais idiotas do que os homens. Depois de entrar algumas vezes no bate-papo, conheci algumas garotas com quem tive encontros. Elas eram legais, mas não me apaixonei por nenhuma delas.

Até que um dia comecei a conversar com uma mulher de 30 anos. Ela escrevia muito pouco, era bem direta. Diferentemente da maioria, com quem eu conseguia conversar por algum tempo, ela não queria “perder tempo” trocando palavras em uma sala de bate-papo. Eu percebia que ela não tinha muita paciência para ficar conversando por ali. Ela então me passou o MSN e por lá a conversa não ficou mais intensa. Ela continuava conversando pouco. Me mandou uma foto e eu mandei outra e logo ela me chamou pra sair. Fiquei um pouco assustada pela “agilidade” do convite e disse que iria sair com a minha amiga, que poderíamos sair outro dia.

Nesse momento, o interfone tocou e eu precisei correr. Disse a ela que poderíamos conversar depois. Ela achou que era mentira. Diz até hoje que eu não gostei da foto que ela mandou (ela estava de moletom). Confesso que preferi a segunda foto (que ela só mandou na nossa terceira conversa), mas ela é linda de qualquer jeito.

Alguns dias depois, voltamos a conversar, e ela disse novamente para sairmos. Mas nesse dia – por algum ‘problema’ do destino – eu também tinha combinado com minha amiga de sair. Eu havia terminado com meu ex-namorado não fazia nem um mês e nessa época eu procurava sair praticamente todos os dias.

Ela pediu o meu celular, disse que iria até lá e poderíamos nos conhecer. Gelei. Eu não conseguia agir tão naturalmente com uma mulher. Ainda estava muito travada. Eu respondi que poderíamos nos encontrar por lá, sem que eu desse o meu celular. Obviamente, ela ficou enfurecida e achou que eu deveria ter 10 anos. E com razão. Fui uma estúpida. Mas não podia falar pra ela que eu estava com medo. Achei que seria ainda pior. Ela parecia tão resolvida e tão extrovertida que eu poderia por tudo a perder com a minha timidez e inexperiência. Ela parou de falar e achei que depois disso nunca voltaria a conversar comigo.

Por sorte, tive outra oportunidade. A encontrei no MSN novamente e pedi desculpas por minha atitude infantil. Como ela era bem direta e queria curtir depois de ter terminado o namoro de cinco anos e meio com uma mulher, ela pareceu não ter ficado chateada e me convidou para sair pela terceira vez (na verdade, ela estava me achando uma criança, mas como só queria dar alguns beijos, não estava nem ligando). Aceitei na mesma hora e disse que poderia ser naquele dia mesmo. Era um domingo.

Coloquei uma jaqueta preta, uma calça jeans e um salto e saí. Combinamos de nos encontrar perto da minha casa. Nessa altura, eu já tinha dado o meu celular. Mas tive outra atitude infantil (quando somos inexperientes com mulheres, é normal não conseguir fazer nada direito). Eu disse a ela para não me ligar, que iríamos apenas nos falar por mensagens. Tudo porque eu não tinha coragem de falar ao telefone. Fiquei com medo de gaguejar. Eu já tinha tentado falar com uma menina por telefone e tinha sido péssimo. Mas essa menina foi tão legal que achou fofo eu gaguejar e depois até conseguimos conversar naturalmente. Mas não queria repetir a experiência. Obviamente, quando eu disse para nos falarmos apenas por mensagem, ela teve certeza de que eu era mesmo uma criança de 10 anos (na época eu tinha 25 e ela 30).

Combinamos de nos encontrar em um estacionamento de um restaurante perto da minha casa para depois irmos para algum lugar. Ela me disse o nome do carro, a placa e a cor. O carro dela tinha insulfim e eu não conseguia ver absolutamente nada dentro dele. Por uma questão de segurança, mandei uma mensagem para ela sair do carro (todo o cuidado é pouco. Não se entra no carro de uma pessoa que você não sabe quem é. Fiquei com medo de ser um homem ou alguém que pudesse me agredir).

Ela me achou novamente infantil (apesar de hoje admitir que é bom ser cautelosa com pessoas da internet. Aliás, sejam muito cautelosas sempre), mas mesmo assim saiu do carro.

Quando eu a vi saindo, até pisquei de novo para saber se ela era tudo aquilo mesmo que eu estava vendo. Fiquei encantada. Ela era ainda mais bonita do que na foto. Estava de salto, blusa e calça bem justas e tinha um cabelo longo liso e preto. E o perfume dava pra sentir de longe. “Por que demorei tanto para encontrá-la?”, foi a primeira coisa que pensei. Chamei alto o nome dela, ela veio em minha direção e me cumprimentou com um beijo no rosto. Então me convidou para entrar no carro e nessa altura eu já estava imaginando se ela realmente iria querer me beijar, porque eu tinha certeza que eu queria. O carro dela também era cheiroso. Comecei a sentir coisas que não tinha sentido com nenhuma menina com quem já tinha me envolvido até então. Combinamos de ir a um bar GLS.

No caminho, ela falava de uma forma bem desenvolta. Como ela é executiva, conseguia usar as palavras muito bem, mesmo falando descontraidamente. Enquanto ela falava, comecei a observá-la no carro disfarçadamente. Dava para ter uma boa ideia do formato das pernas, das curvas… tive que parar de olhar para não imaginar mais coisas. Eu precisava prestar atenção no que ela estava falando para responder rapidamente a qualquer pergunta. Mas ela não me perguntava quase nada, estava dominando muito bem a situação. Contava sobre a sua vida, seu trabalho e profissão e eu só fazia algumas perguntas para não precisar falar muito. Ela foi a primeira mulher que realmente me intimidou. Fiquei sem reação, me senti uma boba.

O trajeto até o bar pareceu durar uma eternidade. Eu estava realmente tensa e precisava beber algo pra relaxar. Chegamos no bar e sentamos em uma mesa próxima da janela. Ela disse que ia ao banheiro e já voltava. Foi o primeiro momento que consegui observá-la com mais calma. O andar era bem feminino e o corpo dela era perfeito. Respirei fundo e pedi uma bebida para me acalmar. Ela pediu algo mais leve, não parecia estar muito nervosa.

Enquanto ela falava, procurei beber rápido para ver se a tensão passava. O bom é que ela gostava muito de falar (risos), o que começou a me deixar mais tranquila. Quando eu já estava começando a ficar mais descontraída, ela me deixou totalmente tensa: “Posso te dar um beijo?”, ela pediu. Quase não consegui acreditar no que eu estava ouvindo. “É claro que eu quero, eu estava pensando nisso desde a hora que te vi”, foi o que pensei. Mas respondi com um “Claro que pode”. Foi então que beijei a minha namorada pela primeira vez. O beijo dela era macio e ao mesmo tempo que era delicado, era envolvente, um beijo que pode te levar a pensar mil coisas, se é que me entendem.

Nos beijamos mais algumas vezes e como era domingo precisamos nos despedir. Eu não queria que aquele dia acabasse, fiquei com medo de ela não querer repetir a dose. Ela me deixou em casa e a primeira coisa que fiz quando deitei na cama foi mandar uma mensagem: “Gostei muito de te conhecer. Gostaria de repetir o nosso encontro. Beijos, Amanda”.

Ela respondeu o mesmo, dizendo que também gostaria de repetir. No dia seguinte nos falamos por MSN e deixamos claro que gostaríamos de nos ver novamente. Mas as conversas começaram a ficar mais intensas e logo percebemos que o próximo encontro não poderia ser em um bar, mas em um hotel. Não queríamos esperar mais tempo para nos conhecer melhor. Já havíamos percebido uma química incrível entre nós e decidimos que não valia a pena esperar.

O bom de combinar um encontro desses com uma mulher é que você não fica imaginando o que ela pode pensar de você. Se fosse um homem eu até pensaria duas vezes.

O segundo encontro (como já contei nesse post) foi ainda melhor do que o primeiro. E desde então não ficamos um dia sem nos falarmos. Demorou pouco tempo para perceber que ela era a mulher da minha vida. Ainda bem que para perceber isso eu fui mais rápida. Hoje já somamos quase dois anos de muito amor e felicidade.

Por isso, por mais que você seja tímida e tenha medo de viver algumas experiências, tente fazer um esforço para conseguir se libertar. Sem dúvida, vale muito a pena.

*A música abaixo, ela me mandou em uma de nossas conversas, quando já estávamos apaixonadas, prestes a namorar. 

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