Há quem diga que o mundo é bissexual e que todas as pessoas com a cabeça aberta podem viver experiências com ambos os sexos.

Reflito sobre essa teoria com frequência. A começar por mim mesma. Eu sempre imaginei que nunca me apaixonaria por alguém do mesmo sexo e aconteceu. Hoje namoro há quase dois anos com uma mulher maravilhosa depois de ter saído de um relacionamento de quase oito anos com um homem. Algumas de minhas amigas também tiveram vontades ou experiências com mulheres e me surpreenderam.

A gente nunca sabe quando esse tipo de coisa pode acontecer na nossa vida. Não há idade. Tem gente que já percebe na infância e outros demoram anos. Casam, têm filhos e só depois percebem esse desejo escondido.

Então será que somos todos bissexuais? Se ainda não somos, em um futuro próximo poderemos ser. Pelo menos é nisso que acredita a psicanalista Regina Navarro Lins. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, ela diz que  futuramente, é possível que a escolha do objeto de amor não seja feita segundo o sexo, mas segundo a compatibilidade psíquica.

Ou seja, buscaremos uma personalidade que nos complete e não importará se a encontraremos em um homem ou em uma mulher.

E por quais motivos muitas pessoas podem não aceitar essa teoria? No caso de homens homofóbicos, por exemplo, o medo é de que percebam que existem neles aspectos considerados não masculinos. O mesmo acontece com as mulheres. Quando elas se veem apaixonadas por alguém do mesmo sexo, podem se sentir inicialmente menos mulheres. E é totalmente o oposto. Quando comecei a namorar uma mulher me senti muito mais mulher. Fiquei ainda mais feminina e comecei a perceber coisas que antes nem me dava conta. Ficamos mais detalhistas, mais românticas e ainda mais dedicadas.

Ao mesmo tempo, acho complicado generalizarmos dessa forma. Não sei se todas as pessoas podem mesmo ser bissexuais. Já vi muitos gays dizendo que nunca ficariam com uma mulher e heterossexuais que afirmam categoricamente que não se envolveriam com alguém do mesmo sexo.

Só que vez ou outra, algumas pessoas me surpreendem. Esses dias, uma amiga minha, que se dizia 100% heterossexual, disse que poderia sim se envolver com uma mulher. “É uma questão de abrir a cabeça para isso. Nunca nenhuma mulher me chamou atenção. Não sei se isso aconteceria de fato, mas hoje em dia acho possível”, disse ela.

Fiquei intrigada e voltei a pensar na teoria de Alfred Kinsey, um dos maiores estudiosos sobre o tema. Como já disse em um post anterior, ele criou uma teoria batizada de “Escala de Kinsey”. Resumidamente, essa escala mostra que dependendo do período da sua vida, você pode mudar a sua “preferência sexual”. Ou seja, em dado momento você pode ser heterossexual e daqui alguns anos descobrir que é bissexual ou até homossexual. Na realidade, segundo o estudioso, somos mais flexíveis do que imaginamos. Não é só um pensamento, ele fez diversos estudos para chegar a essa conclusão, inclusive com ele mesmo.

Ainda assim, é difícil saber a verdade. Talvez ela nem exista, porque simplesmente não podemos generalizar esse tipo de coisa. Cada ser humano tem um mundo interior muito particular e apenas nós mesmos poderemos saber qual verdade pode se aplicar a nós. A questão é que nem sempre conseguimos saber. Preconceitos, ilusões e uma série de outros fatores nos atrapalham. O segredo é não tentar negar os nossos verdadeiros sentimentos e desejos e ter coragem para ser quem realmente somos.