Existem 60 mil casais homossexuais morando juntos no Brasil, relevou o Censo 2010 do IBGE, divulgado neste mês.

Acredito que essa seja uma estimativa bem conservadora. Eu e minha namorada, por exemplo, não preenchemos nenhum formulário e ninguém visitou a nossa casa para fazer essa identificação. E também acredito que outros casais homossexuais dirão o mesmo. Mas isso é normal em todas as pesquisas, eles trabalham com amostragens. Isso significa que nem todos os domicílios brasileiros fizeram parte do estudo.

Apesar disso, o levantamento feito pelo instituto é riquíssimo. Ele diz que mais da metade dos casais homossexuais brasileiros são católicos (47,4%), enquanto 20,4% declaram não ter religião. A maioria dos casais, 53,8%, é composta por mulheres. Mais da metade dessas uniões é do Sudeste.

Essa pesquisa revela algo importantíssimo: mesmo com o preconceito das instituições religiosas, a maioria dos homossexuais não deixa de ter fé. Essas pessoas acreditam que Deus é muito maior do que qualquer preconceito, porque ele está do lado do amor.

Outro ponto importante: esses casais estão concentrados principalmente no Sudeste. Suponho que seja uma questão de “amadurecimento” de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. É muito mais fácil ser gay ou lésbica nessas duas cidades do que em uma cidade do interior ou no Nordeste, por exemplo. Devido ao maior acesso cultural e a uma “outra cabeça”, os homossexuais conseguiram se “liberar” com mais facilidade nessas regiões.

Mas isso não significa que outras regiões sofram “escassez” de homossexuais, pelo contrário. Recebo diariamente e-mails de pessoas de todo o lugar do Brasil, ansiosas para conversar com alguém sobre o assunto. A maior dificuldade delas é que não conseguem se “identificar” com ninguém. Em cidades do interior, principalmente, não há com quem conversar sobre o assunto. É um baita tabu. Então é melhor continuar fingindo que está tudo certo e que não queriam viver uma experiência como essa.

Isso retarda o crescimento de uma sociedade que já não precisava mais ser assim. As pessoas acabam ficando infelizes, porque criamos uma realidade distorcida para agradar alguém que nem sabemos quem é. Precisamos atualizar com urgência o próximo Censo do IBGE e mostrar que a homossexualidade e a bissexualidade são identidades muito mais presentes nas pessoas do que imaginamos.

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