Minhas-Mães-e-Meu-Pai-01Não são apenas os filhos que enfrentam problemas em contar para os seus pais sobre a sua sexualidade. Há muitos pais que se descobrem homossexuais ou bissexuais depois que se separam de seus parceiros (ou quando ainda estão com eles).

É uma situação complicadíssima. Muitos filhos não entendem e se revoltam. “Como minha mãe pode gostar de uma mulher?”; “Meu pai virou ‘viado’, os meus amigos vão me zoar no colégio”. São esses questionamentos que podem rondar a cabeça dos filhos.

É um drama para um pai ou uma mãe viver essa situação. Muitas vezes eles desistem de viver o verdadeiro amor por conta do “sofrimento” que poderiam causar aos seus filhos. Recebo vários relatos a respeito disso. Mulheres e homens mais velhos, casados e com filhos, que vivem uma paixão escondida. A maioria nunca se envolveu com esse grande amor, mas vive os dias fantasiando esse “grande acontecimento”.

Eles entram no blog para desabafar algo que nunca contaram a ninguém. É um alívio poder falar. É uma dor nunca poder concretizar um sentimento verdadeiro.

Já disse a alguns deles que poderiam se separar e arriscar viver essa paixão. Mas as respostas são quase sempre as mesmas: “É difícil. Não quero fazer a minha família sofrer, não quero perder tudo o que construí”.

Não discordo dessas pessoas. É uma opção difícil, são muitas coisas a se perder por algo que às vezes nem se tem certeza.  Mas essa opção não é impossível. Já vi muitas pessoas conseguirem fazer isso dar certo.

É por isso que os pais devem tratar a homo e a bissexualidade de uma forma completamente natural dentro de casa. É preciso mostrar aos filhos, desde pequenos, que é normal uma pessoa do mesmo sexo se relacionar com outra. É normal que um pai ou uma mãe possa se interessar por outras pessoas (mesmo que do mesmo sexo) depois do casamento. Isso não quer dizer que eles não gostaram da pessoa com quem estavam antes.

Há casos em que essas pessoas casadas nunca amaram de fato os seus parceiros. Viveram uma mentira para agradar a família ou para se “encaixarem” no “padrão da sociedade”.

Essas pessoas estão erradas? Obviamente. Mas de alguma forma também são “vítimas” de uma possível criação arcaica, conservadora e ignorante. Fico perplexa quando vejo passeatas “anti-gays” em pleno século XXI. Me dá uma tristeza saber que ainda precisamos de muitos passos para entender o verdadeiro sentido do amor.

Torço para que os pais comecem a mudar a cabeça de seus filhos e vice-versa. E enquanto percorremos esse longo caminho, convido a todos do blog a contarem as suas experiências a respeito disso. Vocês vivem esse drama? Podem contar experiências positivas e negativas sobre o assunto?