LésbicaConfesso que para a minha “alma feminista” é difícil de admitir que as mulheres geralmente são mais complicadas do que os homens.

Por sorte, não tenho problemas com a minha namorada, mas antes dela achei que seria difícil conseguir entender uma mulher. Quando comecei a flertar com elas, às vezes me sentia inquieta em não saber o que realmente queriam.

Você sabe quando um homem está interessado, com uma mulher você nunca tem certeza. Você não sabe se ela está fazendo charme, se está apenas alimentando o ego ou se de fato existe um interesse. Ah, e tem um detalhe ainda pior: se as duas são femininas, o jogo de olhares pode durar a noite inteira e nada vai acontecer. Poucas dão o braço a torcer e isso pode se tornar uma chatice.

Em uma dessas noites, comecei a conversar com uma mulher que havia acabado de conhecer. Ela disse que não poderíamos ter nada naquele momento porque já havia combinado um encontro com outra garota que estava chegando. Entendi que eu estava atrapalhando e saí dali. A mulher chegou, elas conversaram por um tempo e se beijaram.

Quando parei para conversar com algumas amigas, ela voltou para falar comigo. Perguntei sobre a outra garota e ela disse que não gostou de beijá-la, o papo não agradou e blá blá blá. Fiquei brava. “Não acho legal você falar mal dela pra mim. Aliás, você está achando que é a última bolacha do pacote, né?”. Ela pediu pra sentar ao meu lado e disse que não era nada daquilo. Tentou se explicar, mas achei que não valeria a pena ouvir. A carona dela estava chamando para ir embora e eu disse que era melhor ir. Ela disse que não queria. Eu insisti. A amiga dela a puxou com pressa para irem e ela foi, aparentemente não querendo. Nesse dia passei a entender (melhor) a complexidade feminina. Na maioria das vezes, as mulheres não sabem o que querem. Ou pelo menos não conseguem demonstrar isso ou são muito orgulhosas pra tal “façanha”.

Fiz a mesma análise em outra de minhas noites em casas noturnas GLS. Há algumas horas no lugar, me deparei com uma menina que parecia estar bem “perdida”. Não era a primeira vez que eu a via. Da última vez, ficamos nos olhando por um bom tempo e nada aconteceu. Não tive coragem de abordá-la e não sabia se ela realmente ficou interessada. Nesse dia, decidi arriscar. Já tinha visto várias meninas fazendo abordagens e nada acontecia. Resolvi entender porque ela não estava se interessando por ninguém. Como era uma de minhas primeiras vezes em balada GLS não sabia muito bem o que falar e fiz uma pergunta pouco interessante: “Você é heterossexual?”. Ela respondeu que sim. Fiquei tímida e saí dali rapidamente.

Uma meia hora depois ela passou por mim e ficou olhando. Fiquei um pouco irritada com aquela atitude e virei o rosto. Não sei se ela ficou ou não constrangida, nunca olhei novamente pra saber. A chance já tinha sido perdida – a minha e a dela. Hoje penso que talvez ela estivesse tentando se descobrir, mas eu também estava e nem por isso jogava oportunidades fora.

Apesar disso, me deparei com muitas mulheres “decididas”. O lado ruim é que elas não querem perder tempo nenhum. A ideia é fazer número. Quanto mais, melhor. Muitas delas não conseguem sustentar um papo por muito tempo. Ou acham que não é lugar pra isso ou não têm muito o que falar mesmo. Elas chegam a falar sobre suas carreiras e um pouco de suas expectativas, mas não vão muito além disso. É difícil conseguir uma boa conversa na “noite GLS”.

Se alguém te disse que era mais fácil ficar com mulher do que com homem estava mentindo. Ou tentando te incentivar. O importante é não perder as esperanças, porque existem mulheres interessantíssimas e intensas para se conhecer. Por sorte, a minha não demorou a chegar e já estamos juntas há mais de dois anos.