LésbicaSempre defendi por aqui que devemos falar sobre a nossa sexualidade naturalmente. É triste dizer, mas uma  experiência que tive hoje me mostrou que isso ainda não é possível.

A minha namorada me apresentou há pouco tempo a um mecânico que ela sempre leva o carro. Eles já se conhecem há anos. Ele sempre foi muito educado e nunca (nunca mesmo) fez qualquer comentário ou olhar desrespeitoso.

Fui levar o carro para arrumar algumas vezes e tinha adorado o serviço. Ele sempre me perguntava sobre a vida e conversávamos sobre assuntos banais. Ele já chegou a perguntar se eu morava junto com a minha namorada (sem saber que namorávamos). Respondi que sim. Ele nunca se “aprofundou” nesse assunto.

Hoje, quando fui buscar o carro, o diálogo já foi um pouco diferente e (sinto dizer) um pouco chocante pra mim:

-Vocês namoram?
- Sim.
- Ah, cada um tem seu namorado, que bom.
- Não, não. A gente namora, eu e ela.

Ele parou alguns segundos depois de receber essa informação e eu, sem graça, continuei o assunto:

- Você tem algum preconceito?
- Não tenho. Na verdade, acho excitante.
- É, algumas pessoas acham – respondi um pouco sem graça.
- As duas são bonitas, né. Queria entender melhor como isso funciona…

Fiquei um pouco perplexa sem entender o que ele estava querendo dizer com aquilo, ele continuou:

- Eu não marquei seu telefone, queria saber se posso te ligar pra entender isso melhor.
Na hora que eu compreendi aonde ele queria chegar, logo respondi:

- Não, não tem nada pra entender. Não precisa me ligar.
- Ah, mas eu queria entender como funciona o sexo…

Ainda mais chocada, respondi:

- É igual, não tem o que entender. Preciso ir embora, obrigada.

Um pouco sem graça, ele se despediu e mandou um beijo pra minha namorada. Fui embora rapidamente dali ainda um pouco desnorteada. Não era uma pessoa que havíamos acabado de conhecer. Nós já mantínhamos um contato com ele. Sempre que precisamos, ele está ali para ajudar. Mas a gente se engana com as pessoas. Às vezes desejamos um mundo que ainda não existe. Desejamos que as pessoas nos respeitem de verdade.

Se eu namorasse um homem, em nenhum momento ele teria feito uma proposta absurda daquela. Porque existe, de fato, um respeito. Ninguém pergunta pra um casal heterossexual (exceto em lugares “apropriados” para isso) se é possível entender melhor como funciona a relação deles (se é que me entendem).

Minha namorada também ficou chateada, xingou o homem de tudo quanto é nome. Quase brigamos por causa disso. Ela ficou tão nervosa que disse: “Mas por que você foi falar pra ele?”. Respondi: “Agora eu que estou errada? Não falei nada demais, eu só confirmei o que ele perguntou”. Ela acabou concordando comigo. Não somos nós que estamos erradas em falar sobre a nossa sexualidade, são as pessoas que estão erradas em nos desrespeitar. É isso que precisamos ter em mente.

E lembrem-se sempre: não é por causa desse tipo de coisa que vamos deixar de viver a nossa vida como realmente queremos. Nunca desanimem. Se as pessoas não nos desrespeitarem por isso, vão nos despeitar no trânsito, no trabalho, no parque ou em qualquer outro lugar. Não adianta querer exigir que todas as pessoas deixem de ser ignorantes, isso é impossível. Mas dá pra gente escolher ser feliz de verdade e lutar por esse direito.

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