Daniela MercuryConversando sobre o fato de a Daniela Mercury ter assumido um relacionamento com uma mulher, uma amiga me disse: “A Daniela tem quase 50 anos e só assumiu agora. Com certeza não tira o mérito, mas acho que, na idade dela, com a maturidade, tudo é mais fácil”.

Ainda não tenho 47 anos como Daniela (ainda faltam 20, risos), mas acredito que a idade não facilita. E por que não? Elas viveram em uma época em que era muito mais difícil falar sobre o assunto. Conheço lésbicas de 60 anos que dizem pra mim  ”Acho um absurdo essas adolescentes se agarrando no metrô. Não podem se expor assim”. Isso porque elas sempre viveram “escondidas”, sempre tiveram de ser muito “discretas”. Os pais, os avós delas também tinham uma outra cabeça. Convenhamos, por mais que ainda existam famílias ignorantes, é muito mais fácil se assumir gay ou bissexual hoje do que há 20, 30 anos.

Houve uma mudança de mentalidade e é muito mais fácil para o jovem vivê-la, pois ele já nasceu com “outra cabeça”.  O casamento gay foi aprovado em algumas regiões no mundo (inclusive no Brasil). Hoje o preconceito é mais velado, as pessoas têm até vergonha de demonstrá-lo em determinados locais. Assim como o racismo. Quem é preconceituoso hoje é visto com “maus olhos” por muitos.

Outros indicadores que também impossibilitariam Daniela (e outras mulheres da idade dela) de assumirem um relacionamento homossexual são os filhos, um casamento “sólido com um homem”, uma família mais tradicional. Imagina uma mulher de 50 anos falar para os seus filhos que está namorando com outra mulher? Não é fácil. E eis o mérito de Daniela. Não sei qual a relação dela com o ex-marido e a família, mas de certa forma ela os “enfrentou” para viver esse amor e de quebra ainda lidou com as fofocas de todo um país.

Tenho leitoras com a idade de Daniela que já estão há anos lidando com essa questão. Elas são casadas com homens, têm filhos e não têm coragem para viver um grande amor com uma mulher. Elas têm “muito a perder”. Porque querendo ou não é um “risco”. Muitas delas nunca nem experimentaram um beijo lésbico (não sei se é o caso de Daniela, talvez não). E se de repente elas largam tudo e percebem que não era o que elas imaginavam? E se elas de repente percebem que amavam o marido e só precisavam viver uma experiência diferente diante de tanta monotonia? Mas claro, elas também podem perceber que é possível viver uma nova felicidade, um novo amor. Nada é certo, tudo é um risco.

É muito menos arriscado assumir a bi ou a homossexualidade aos 25 anos, como aconteceu comigo. Eu já nasci nessa época do preconceito “mal visto”. Como já disse no post anterior, eu não tinha nada a perder. Não era casada, não tinha filhos. Eu, sim, podia arriscar. A maturidade às vezes é uma faca de dois gumes. Ao mesmo tempo em que ela pode ajudar uma mulher a se assumir, pois ela já se conhece melhor, ela pode impedi-la de viver um grande amor e se arriscar.

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