GaysEm 17 de maio de 1990, a homossexualidade deixou de ser considerada uma doença pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Teoricamente, nesses últimos 23 anos qualquer pessoa poderia ter relações homossexuais sem culpa ou sem medo de ser tratado como “anormal”.

Mas sabemos que isso não acontece. As pessoas ainda se culpam, se matam, são espancadas e sofrem preconceito. E essa rejeição vem de todos os lugares. Dos amigos, da família e de indivíduos que te veem na rua pela primeira vez.

Ainda vejo religiosos fanáticos se debruçarem sobre textos bíblicos para dizer coisas esdrúxulas sobre a homossexualidade. E a partir dessas teses, eles excluem, tentam curar e levam milhares de famílias ao sofrimento. A retórica desses fanáticos convence, afinal são treinados para falar bem. E quem se atreve a contradizê-los? Estará contra Deus. Por sorte, o meu Deus não é assim. Ele ama a todos sem distinção. Não exclui, não julga, não fere. Às vezes é muito difícil dizer isso a pessoas que já têm o pensamento “moldado” pelo senso comum. Elas apenas reproduzem o que ouviram de oradores capciosos. Claro, isso não é regra geral. Ainda existem muito religiosos dignos da palavra, que levam ensinamentos poderosos aos demais.

Nesta última quinta-feira (16/05) assisti a um debate de religiosos no programa Mulheres, canal 21. Cada representante religioso opinou sobre a homossexualidade. Gostei de ouvir muitos deles dizendo que os pais precisam apoiar e compreender um filho homossexual. Que as pessoas podem e devem seguir o caminho do seu coração e que nenhuma religião pode podá-las. Outro representante contou que foi expulso da congregação ao tentar pregar a favor da homossexualidade. Segundo ele, a Igreja já cometeu muitos erros e podemos tentar fazê-la ter um pensamento diferente em relação a esse tema. Outro chegou a dizer que em algum momento da vida, os homossexuais serão infelizes. E quem é feliz sempre? Dê algum exemplo de algum casal heterossexual que não passe por crise? Ou que não brigue de vez em quando?

Neste Dia Internacional contra Homofobia poderíamos ter muito mais a celebrar, mas a mudança de pensamento ainda anda a passos muito lentos. Toda grande mudança é árdua e dolorida. As mulheres e os negros que o digam – ainda passam por isso.

Mas ao mesmo tempo estou feliz com muitas mudanças. Gente que entrava no blog sem coragem para falar sobre o assunto e hoje conseguiu se relacionar com alguém do mesmo sexo. Pessoas que não gostavam de ser homo ou bissexuais e hoje estão felizes em serem elas mesmas. São muitas histórias bonitas para contar e quero continuar falando delas por muitos anos. Espero que uma delas seja a sua – se já não é.