vergonhaMuitos amigos já me disseram (com palavras mais delicadas) que sou hipócrita. Prego a favor da homo e da bissexualidade, mas não dou minha cara para bater. Pelo menos aqui, no BlogSouBi.

E por que ainda não consigo postar uma foto minha com nome completo? Porque assim como muitos de vocês, ainda tenho bloqueios para assumir a minha sexualidade.

A culpa é da sociedade? Em partes. Mas é muito mais minha, é muito mais nossa. Ainda temos “vergonha” em assumir que podemos nos relacionar com alguém do mesmo sexo. O que as pessoas vão dizer? Minha família não vai aceitar, meus amigos vão me rejeitar.

É fato que muito de tudo isso pode acontecer, é um processo muitas vezes doloroso. Como já contei muito por aqui, tem pai que bate, expulsa de casa. Tem “amigo” que exclui, vizinho que fofoca e colega de trabalho que prejudica.

Mas também somos culpados em deixar essa aceitação ainda pior. No fundo, nos escondendo, também demonstramos ter preconceito. Aos poucos, estou tentando me livrar dessa máscara.

Antes, eu ficava preocupada com quem sabia sobre o meu namoro com uma mulher. Será que essa pessoa é confiável? O que ela está pensando sobre minha sexualidade? Esse medo saiu da pauta, pelo menos para algumas pessoas. Falo tranquilamente sobre ela a amigos, colegas e conhecidos. Mas ainda não falo para qualquer um.

Eu não digo que namoro uma mulher em uma entrevista de emprego, digo que moro com uma amiga. Estou trabalhando essa insegurança para responder a essa pergunta da forma mais natural possível.

Eu e minha namorada ainda temos medo de entrar em uma balada heterossexual ou de andar pelas ruas de mãos dadas. O medo é natural, visto as agressões (muitas fatais) contra homossexuais nos últimos anos. Nesse último final de semana, fomos a um aniversário de amigos em uma balada heterossexual. Um garoto abordou minha namorada e não resisti, disse a ele que estávamos juntas. Foi complicado, porque ele começou a fazer uma série de perguntas do tipo: “Vocês são gays? Quem manda na relação?” e por aí vai. Apesar da reação pacífica – mas incômoda -, ele não foi o único a ultrapassar os limites na história do meu namoro, já tive reações bem mais desrespeitosas. O melhor exemplo é o do mecânico que praticamente nos convidou para um ”ménage à trois”.

Ninguém disse que era fácil. Só é preciso entender uma coisa: o respeito de todo mundo você nunca terá. Pense que apenas pelo fato de ser mulher você já sofre desrespeito nas ruas – com cantadas indelicadas e grosseiras e olhares que nos fazem deduzir que somos apenas um pedaço de carne. Você vai sofrer por ser negra ou por não ser vaidosa – ou por ser vaidosa demais. O nosso maior erro é buscar aceitação de todos, quando isso não passa apenas de uma ilusão.