Homem lesbico

Ator interpreta homem lésbico na série The L Word

Marcos Augusto tem 20 anos e é estudante de sociologia. Ele entrou em contato com o BlogSoubi para relatar seus estudos e descobertas sobre os homens lésbicos. Além de ter entrevistado alguns deles, ele também se encaixa nessa categoria. Abaixo, alguns trechos do relato.

“Atualmente, depois de tantos estudos e descobertas, é bem mais fácil você conseguir se descobrir sexualmente. Ao entender mais sobre sexualidade, você logo começa a perceber que é homossexual, bissexual ou transgênero. Porém, ainda há pessoas que dizem não se encaixar em nenhuma dessas categorias, o que acaba sendo um transtorno imenso, muitas vezes por toda a vida. Dentre essas novas tipagens, há o homem lésbico. Imagine você, um homem que gosta de mulher. Tudo normal, certo? Errado. Por mais que acreditemos estar tudo tranquilo, um mar de perturbações se passa pela cabeça deste homem. Como esta é uma classe em “fase de descoberta”, ainda há muitos conflitos e contradições.

Algumas pessoas confundem e acreditam que o homem lésbico é apenas um cara “sensível demais”. Outras já confundem com crossdressers (homens heterossexuais que gostam de se vestir de mulher).

Mas o homem lésbico é diferente. A sua sensibilidade é maior, seus sentimentos são como de uma mulher. Entretanto, isso nada tem a ver com homossexualidade, muito pelo contrário. Apesar de ter seu lado feminino, esse homem não se sente um transgênero, pois, teoricamente, está satisfeito com seu corpo. Eles gostam de ser homens, mas sentem que sua “alma” feminina é lésbica.Tenho me dedicado a esse assunto há algum tempo e tirei algumas conclusões.Com base em casos que presenciei, nos relatos que li e nas confissões que fizeram a mim, percebi que há vários níveis de homens lésbico, do mesmo modo que existem homossexuais mais ativos, passivos ou relativos (que alternam entre ativo e passivo). Os homens lésbicos podem ser “mais masculinos” ou “mais femininos”. Mas o fato é que todos têm algo em comum: são homens que gostam de mulheres, mas não se sentem homens na relação sexual. É complexo.

Presenciei um caso de um homem que se considerava uma mulher, mas no corpo de um homem. Ele realmente queria ser tratado como “uma princesa”. Mas isso em nada impedia ele de curtir rock, videogame, sair com uns amigos e tomar umas. Ele gostava de ser totalmente passivo. Já outros são difíceis de distinguir, visto que são homens lésbicos ativos. Há ainda os relativos, que estão no meio termo. Às vezes gostam de ser mais femininos, outras vezes mais masculinos. O que os coloca na mesma categoria é que na hora do sexo, esses homens não sentem necessidade de utilizar órgão sexual no ato. Alguns até repudiam a penetração peniana e fazem sexo como uma mulher lésbica. Há alguns (mais passivos) que gostam de ser penetrados por sua parceira.

Pela falta de entendimento de muitas mulheres sobre o assunto, muitos desses homens acabam escondendo sua verdadeira identidade e vivem como homens heterossexuais, embora no fundo, por mais que amem sua parceira, nunca serão completamente felizes. O maior desafio é encontrar alguém que os aceite como realmente são. Relacionamento com lésbicas é, teoricamente, impossível, afinal, elas gostam de mulheres. E relacionamento com bissexuais também costuma ser complicado, principalmente para os mais passivos, pois geralmente uma garota bi, quando se relaciona com um garoto, prefere que ele seja ativo na relação. Ainda há muito a pesquisar, muito a discutir e muito a aprender. Mas como sempre digo, o importante é não haver discriminação e, claro, por mais diferente que se possa ser, toda forma de amor é válida, afinal, o importante é ser feliz”.

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Acredito que muitas mulheres já devam ter se relacionado com homens lésbicos. Se alguma puder dar o seu depoimento, seria extremamente valioso. Deve ter sido difícil de compreender. Eu, como uma mulher bissexual, confesso que também teria dificuldades em me relacionar com um parceiro assim. Mas sabendo de tudo isso e amando a pessoa, talvez eu tentasse me adaptar a essa situação, desde que isso, de alguma maneira também me realizasse.

Não adianta satisfazer o outro se para você a situação não é prazerosa.Somos complexos, somos todos diferentes, cada um com seu desejo, manias e gostos. Cresceremos como sociedade quando entendermos de verdade tudo isso.