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Odeio bicha afetada. Essa frase é repetida constantemente, sem nenhuma reflexão, por muitos gays e bissexuais. Eles também odeiam as lésbicas “caminhoneiras”, as garotas masculinas que dão pinta.

Essas pessoas afetam a nossa imagem, é o que muitos deles pensam. Pelo contrário. São essas pessoas que não têm medo de se expor e correm o risco de serem humilhadas todos os dias. Elas não têm medo de serem o que são e já desistiram de se preocupar com o que os outros pensam. Piadinhas maldosas? Podem se incomodar, mas superam. Medo de andar nas ruas? Eles não querem se esconder. E enquanto eles buscam ter mais espaço, os gays homofóbicos não querem “lutar” por acharem que esse embate não é deles.

“Os homossexuais não estão livres de serem homofóbicos, muito pelo contrário, eles carregam com naturalidade muitos preconceitos que acreditam tratar-se apenas de uma questão de opinião”, escreveu Vitor Angelo, blogueiro do Blogay, da Folha de S.Paulo.

Lutei muito contra esteriótipos. Na infância, meus colegas não aliviaram. As roupas masculinas que eu usava nessa época foram alvo de discriminação. Eu era apenas uma criança que gostava de futebol, usava bermudão e preferia brincar com os garotos.

Mas eu não cresci assim por uma série de motivos. Fui proibida de brincar com os meninos do prédio, comecei a andar com as garotas do colégio e fui tentando me encaixar. Até hoje se eu coloco uma roupa “menos feminina” já fico preocupada. O que vão achar? Será que estou masculina?

Essa minha preocupação também não é um tipo de homofobia? Pelas roupas, eu transmitiria bem mais facilmente que gosto da mulher (apesar de que roupa pode também não dizer nada). E estou falando apenas de uma calça mais larguinha, o que, convenhamos, não é nada masculino. Mas é o que está na minha cabeça. São meus demônios, meus traumas, minhas crises internas.

Esses dias, uma leitora recomendou um vídeo bem interessante de um homem que explicava cientificamente a homossexualidade. Ele explicitou vários estudos para mostrar que ser homossexual ou bissexual não é uma escolha, mas algo natural dos animais e do ser humano. No decorrer do vídeo, no entanto, ele dava mostras de que não era gay. Era nítida a preocupação dele em reforçar que estava do “lado hetero”. Ele esclarecia ao mesmo tempo em que reforçava um preconceito.

Fazemos isso todos os dias, muitas vezes, sem perceber. É a nossa criação martelando na nossa cabeça. É a nossa necessidade de querer ser aceito de qualquer forma.

Aos poucos conseguiremos extirpar essas preconceitos absurdos que nos consomem. É muita terapia individual – e em grupo -, meus amigos.

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