MafaldaCom o tempo, a mulher aprende a selecionar melhor seus pretendentes. Na adolescência, ela geralmente escolhe os mais bonitinhos ou os mais populares do colégio.

Então ela aprende que a beleza ou a popularidade não são os mais importantes, apesar de algumas ainda insistirem nisso por muito tempo. Vamos aprendendo a olhar para os valores, o caráter, o modo de se portar, o papo e as atitudes. E com todos esses aprendizados, passamos a selecionar melhor (ou pelo menos deveríamos).

Só que em dado momento da vida descobrirmos o desejo por outras mulheres. E é como se voltássemos no tempo e tivéssemos que aprender tudo de novo. Nós simplesmente perdemos a capacidade de selecionar bem.

Aconteceu comigo e acontece com muitas das leitoras do BlogSoubi. Quando decidi que iria perder o medo de me relacionar com mulheres, recorri a todos os ambientes (virtuais e físicos) para atingir a esse objetivo.

No início foi um horror. Eu não ligava se a menina não tinha um papo tão envolvente ou se ela nem sabia o que falar. O meu único filtro inicialmente foi a beleza. Bastava ser um pouco bonitinha e pronto.

E a cada beijo com uma mulher (apenas) bonita, eu me sentia vazia. A sensação era ótima, a troca de beijos e olhares também, mas ficava nisso. Pensei em me envolver emocionalmente com algumas, mas não batia. Tinha perdido a capacidade de selecionar.

Cheguei até a me relacionar brevemente com uma pessoa comprometida, algo que ia totalmente contra os meus valores. Ela namorava uma outra mulher, inclusive. Eu nem tinha pensado que podia estar fazendo alguém que eu nunca vi sofrer. E tudo por um capricho, uma aventura e porque eu tinha perdido, de fato, o meu senso crítico. A empolgação é tamanha quando começamos a nos envolver com mulheres que só queremos ter a oportunidade de ter a experiência sem pensar muito nas consequências ou exigir os valores que já estamos acostumadas.

É o que vem acontecendo com uma leitora. Diana* tem quase 40 anos e sempre foi muito exigente com homens. Ela nunca tinha beijado uma mulher até conhecer Fabiana* em um bate-papo. Fabiana* é uma mulher com constantes atitudes infantis. Aquele tipo de pessoa que você só aguenta se o seu senso crítico ainda está em fase de desenvolvimento.

E por que Diana* suporta tudo isso? Porque ela quer se relacionar com uma mulher e Fabiana* foi a primeira que apareceu. Obviamente ela deve ter suas qualidades e minimamente um papo envolvente. Mas Diana* mesmo já admitiu que se ela fosse um homem, ele (ou ela no caso) nunca teria chances.

Por sermos mulheres, achamos que conhecemos muito bem a ala feminina. Não se enganem. Vocês verão que muitas vezes é até mais complicado. Alguns fatores vão nos fazendo enxergar melhor essas questões, a experiência é um deles. Você terá de sofrer, descobrir mentiras, perceber más intenções e até viver uma competição desnecessária. Sim, as bissexuais e lésbicas também competem entre si. Por insegurança, elas tentam deixar a outra por baixo para se autoafirmar.

Haja fôlego. É mesmo difícil selecionar – ou ajudar o nosso coração a fazer isso. E mesmo com a experiência, ainda estamos vulneráveis. A paixão não é racional e muitas vezes dribla o nosso senso crítico. É preciso muito amor próprio para fugir de alguém que não agrega nada a você. Esse é o primeiro passo para começar a retomar a sua memória seletiva.

*Os nomes são fictícios para não expor a intimidade da leitora

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