gayCresci acreditando que ser gay não era natural. E não era mesmo. Eu não me deparava com nenhum gay nas ruas. Nunca tinha visto um beijo entre dois homens ou duas mulheres, nem nunca tinha ouvido falar de casamento homossexual. Eu não via nada. 

Ninguém me deixava ver. E por isso eu cresci acreditando que aquilo não era natural,  era errado. As palavras gays e lésbicas eram pronunciadas como se fossem palavrões. Bissexual? Coisa de gente promíscua – aliás, muitos gays também acham isso.

Afirmar que alguém poderia encostar nos lábios de outra pessoa do mesmo sexo era (ainda é) denegrir a imagem. Sofri muita agressão moral na infância mesmo sem nunca ter beijado uma mulher naquela época.

E meu pai também não ajudava. Quando eu tinha por volta de 11 anos, ele enrugou o rosto com cara de nojo e contou que algumas pessoas próximas eram homossexuais. “Eles são gays, saiba disso!”

A revelação era uma forma de agredir aquelas pessoas. ”E daí que são gays? Isso não muda nada.”, respondi com uma dose de raiva, lembrando dos meus amiguinhos fazendo bullying. Eu estava apenas começando a descobrir o que era a homossexualidade, porque tinha lido a respeito (viva a boa literatura). Mas a minha ira era maior porque minha mãe sempre ensinou a amar todas as pessoas, independentemente de classe social, sexo, raça ou seja lá o que for (obrigada, mãe).

Mesmo com a sabedoria de minha mãe, eu saiba que ela também não queria uma filha homossexual (acabou tendo uma bissexual). Ela não tinha preconceito, mas não queria me ver sofrer. É o que os pais “não preconceituosos” geralmente dizem.

Eu nunca vi reais motivos para tanto alvoroço acerca de homossexuais. Por que crianças não podem ver um beijo gay? Porque para os pais isso é errado. Influencia. E não queremos ver nossos filhos gays. Deus nos livre disso, preferimos ter um filho morto. Quantas pessoas já não ouviram essa célebre frase? 

Um beijo gay não vai influenciar o seu filho a ser gay. Vai influenciá-lo a ser uma pessoa sem preconceitos, que ama seus amiguinhos independentemente do que eles sejam. Um ser humano que respeita o outro, porque sabe que isso é normal. E sim, seu filho vai achar isso bem mais natural do que você.

Quem não dominar o inglês, basta ativar a legenda do Youtube

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