videoabracogay1 (1)Colocaram frente a frente 15 pessoas homofóbicas para conversarem com gays e lésbicas. O desafio era um abraço ao final do bate-papo. O resultado é, no mínimo, emocionante (veja vídeo abaixo).

Em diálogos resumidos, é possível constatar algumas “relíquias” do preconceito. “Você é muito bonita para ser gay” ou “Eu sinto que homens gays fazem mais sexo que homens heterossexuais”.

Há ainda uma visão deturpada sobre a homo e a bissexualidade. Acredita-se que as mulheres precisam ter trejeitos masculinos e que os gays são promíscuos. Obviamente existem ambas as coisas, assim como na heterossexualidade há traição e promiscuidade.

Outro dia ouvi um homem dizer: “Não tenho amigos gays, porque eles fazem coisas muito diferentes das que eu faço. Sou um cara tranquilo, não gosto de pessoas expansivas ou que saem muito.”

Em outra roda de conversa, as pessoas na mesa disseram que saberiam identificar facilmente algum gay ou bissexual. Como ninguém sabia da minha sexualidade naquele ambiente, questionei: ” Não, vocês não saberiam identificar. Não há um estereótipo. Nem sempre é possível definir, apenas quando há trejeitos muito evidentes.” Um deles retrucou prontamente: “Amanda, claro que é possível. Se você fosse gay ou bissexual nós saberíamos.”

Obviamente dei risada e não respondi mais. Existe ainda uma grande confusão entre gênero e sexualidade. Explico melhor. O fato de eu gostar de mulher não significa que eu queira ser um homem. É apenas a minha sexualidade. Claro que há lésbicas ou até bissexuais com trejeitos masculinos. Da mesma forma em que há mulheres heterossexuais com os mesmos trejeitos. Provavelmente você já deve ter julgado que uma menina era lésbica apenas porque falava um pouco mais grosso e não se vestia de forma tão feminina. Há muitas delas por aí. E elas são casadas ou namoram com homens.

Já tive um amigo que eu podia jurar que era gay. Ele desmunhecava (de verdade) e falava suavemente, com a entonação feminina, de forma muito similar a um gay. Só que ele era casado com uma mulher e tinha filhos. Ele podia ser enrustido? Bem que podia. Mas quem poderá afirmar de fato isso?

Há exemplos ainda mais fortes. Basta citarmos o crossdresser, o homem que é heterossexual, mas gosta de se vestir de mulher. Pode parecer estranho para muita gente, mas é um prazer inexplicável para muitos homens heteros trajar um vestido.

Até transsexuais - que aí sim querem ter outro gênero e não se enxergam no corpo em que nasceram -, têm sexualidades diferentes. Há trans homens que têm atração por mulher. Outros têm por homens. Não podemos confundir transsexualidade (não querer estar no corpo de um homem ou de uma mulher) com identidade sexual (atração pelo mesmo sexo ou sexo oposto). Ou seja, uma pessoa pode ser um transsexual gay ou um transsexual heterossexual.

Pareceu tudo muito complexo? Então olhe agora para você. Pense nos seus desejos mais profundos e em tudo aquilo que talvez você nunca confidencie a ninguém. Tudo isso que está guardado e você não quer externar pode ser o mesmo desejo que muitas pessoas sentem e, por uma questão social, moral ou religiosa, também nunca trarão à tona. E então você vai me dizer: É bem diferente de tudo isso que você citou.

Pois é, e quem não é diferente?

Um grande abraço para todos vocês:

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