Os dois haviam se conhecido na internet, nesses sites de encontro. Ela, uma mulher de meia-idade, no auge dos 50 anos. Ele, um tipo grosseirão, com fala arrastada e um chapéu de cowboy.

Fazia tempo que ela não conhecia ninguém. A separação havia sido traumática. Por muito tempo não quis mais nenhum homem em sua vida. Com um filho e muito trabalho, isso se intensificou e sua vida amorosa ficou em segundo plano.

Marcaram um encontro em um restaurante perto da casa dela. Dava para ir caminhando. Colocou um vestido, um batom discreto, delineou os olhos e cobriu o rosto com uma base, para disfarçar os traços da idade. Não gostava de maquiagens muito carregadas. O vestido preto era discreto, mas bonito.

Estava nervosa e ao mesmo tempo feliz. Finalmente havia tido coragem para recomeçar. A conversa virtual havia sido interessante, ele parecia um homem agradável.

Avistou o acompanhante logo na entrada. Sentando em uma mesa próxima à porta, ele acenou sorrindo. Procurou andar calmamente até ele, para não demonstrar nervosismo. Deu um beijo no rosto e sentou.

Receberam o cardápio do garçom e enquanto escolhiam o pedido, começaram a conversar. Ele já havia pedido uma cerveja. Ela pediu um suco de laranja. Monossilábico, ele não dizia muito sobre ele. Ela procurou falar um pouco da vida. Fizeram o pedido. Ela pediu risoto com peixe. Ele, uma picanha com arroz e batata.

De repente, ele olhou nos olhos dela e simplesmente disse:

- Como você está gostosa. Vamos sair daqui e ir para outro lugar.

Confusa e julgando ter entendido mal a frase, retrucou:

- Não entendi, desculpe?
- Você está deliciosa. Vamos comer rápido e ir a algum motel aqui perto.

Aturdida, ela deu um sorriso sem graça e torceu para o pedido chegar logo. Procurou falar sobre amenidades nos minutos seguintes sem dar espaço a ele; um modo de evitar novas investidas como aquelas. Ela comeu rapidamente e ao final, antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, falou secamente:

- Estou indo embora, obrigada pela janta.

Essa é uma história baseada em fatos reais, contada por um amigo. Aconteceu com a mãe dele. Não vejo nada de errado em um homem ou uma mulher saírem ou se encontrarem para fazer sexo. Mas quando é evidente que a companhia exige um pouco mais de tato (e conquista, por que não?), fica absolutamente constrangedor.

Uma amiga contou também que desistiu de marcar encontros pelo Tinder, aquele aplicativo que descobre pessoas próximas a você. Ele funciona basicamente assim: Aparecem várias fotos de homens ou(e) mulheres e você apenas escolhe se quer conhecer ou não. Se ambos escolherem sim, dá para iniciar um papo virtual e marcar um encontro.

Segundo minha amiga, os caras são diretos nesse aplicativo. Já dizem logo de cara que querem transar. Esse texto, que narra o uso do aplicativo por um homem, ilustra bem a situação: Quando perguntado sobre o que eu fazia no Tinder, respondi que queria transar casualmente, e depois de ter sido chamado de escroto, nunca mais recebi nenhuma palavra. Triste, pois se ela está no Tinder procurando conhecer um príncipe, vai quebrar o coração. Só fui sincero”, afirmou o usuário do aplicativo.

Encontrar um príncipe (ou princesa) nunca foi uma realidade. Mas há quem diga que já foi muito mais fácil chegar perto disso.

E vocês? Já passaram por alguma situação parecida? Também estão tendo dificuldades para encontrar pessoas interessantes?