beijolesbicoLarissa* é uma mulher independente. Terminou recentemente um casamento heterossexual de mais de 10 anos, tem filhos pequenos, uma casa e um bom emprego.

Ela sempre teve vontade de se envolver com uma mulher, mas nunca teve coragem. Hoje, aos 41 anos, depois de ter se privado de muitas coisas, ela acha que chegou o momento de ter essa experiência.

Depois de passar pelo processo de aceitação desse sentimento e tomar a decisão de que vai mesmo se relacionar com mulheres, ela se deparou com um grande problema: onde estão as lésbicas e bissexuais de mais de 40 anos?

“Não consigo achar. Só encontro meninas mais novas, com no máximo 35 anos”, diz ela.

Larissa buscou em bate-papos e em bares cariocas. Encontrou algumas, mas poucas solteiras (sim, a maioria é casada) ou dispostas a viver um verdadeiro relacionamento.

A teoria de Larissa para isso é que a geração de mulheres com mais de 40 anos é o seu “auto-retrato”: “Assim como eu era, muitas mulheres nessa faixa de idade não têm coragem de assumir que se interessam por outras mulheres”.

Vivi, talvez, uma fase melhor. Mas ela só aconteceu na faculdade, quando tive a oportunidade de conviver com cabeças mais abertas.

Nem sempre foi assim. Na minha adolescência, tive uma amiga lésbica. Ela nunca me contou naquela época, mas eu sabia. Era um segredo que ela guardava e não queria compartilhar com os outros alunos da escola, o que era totalmente compreensível, porque se crianças hoje ainda sofrem bullying por isso, imagine há alguns anos.

Um dia, a escola soube da notícia de uma maneira nada confortavel. Um aluno viu minha amiga beijando outra garota em uma festa. A fofoca virou manchete. E ela não foi à escola por três dias.

Se com 29 anos tive a infelicidade de presenciar cenas como essa, é muito provável que as gerações anteriores tenham muitas histórias para contar.

Mulheres de mais de 40 anos tiveram outra “criação”, é que todos costumam dizer. Mas essa não é uma exclusividade de gerações anteriores. Esse tipo de criação ainda se perpetua em muitas familias e impede boa parte da população de ser feliz.

Há ainda uma legião de famílias que talvez nunca aceitaria ter uma filha, neta ou sobrinha casada com outra mulher. Seria vergonhoso? Ou chato de falar para as amigas do bairro? Seria pecado?

Isso é reflexo de uma sociedade que não procurou de verdade se encontrar. E agora está perdida.

Fazemos tudo pelos outros e pouco por nós. E mentimos mais para nós mesmos do que para qualquer outra pessoa.

Reflita sobre os seus verdadeiros sentimentos. Converse com outras pessoas a respeito.

Deixo o espaço de comentários (abaixo) para quem quiser contar a sua história. Aos homens e mulheres de mais de 40 anos que ainda estão tentando se encontrar ou já se encontraram e querem compartilhar essa experiência.

Aproveite para ler os outros comentários. Talvez algum possa lhe chamar atenção e você encontre alguém que facilmente lhe mostrará um novo caminho.