Carolina, 19 anos, entrou em contato com o BlogSouBi para desabafar sobre os problemas familiares que vem enfrentando dentro de casa. Ela tem sofrido humilhações constantes depois de ter revelado à sua mãe que teve relações com uma mulher.

É triste saber que Carolina não está sozinha. Recebo com frequência e-mails e comentários relatando situações similares. O Brasil ainda é conservador, como foi possível constatarmos nas Eleições 2014. As famílias ainda são ignorantes quando o assunto é homossexualidade (ou bissexualidade). Acreditam que é possível curá-la ou pior, tirá-la à força. Reclamam da ditadura gay e da falta de liberdade de expressão, mas não refletem que quem pode morrer violentamente nas ruas por não poderem se expressar são seus filhos. Filhos que sofrem ainda mais por serem proibidos de se expressar dentro de casa.

O relato de Carolina, que você confere logo abaixo, é um pedido de reflexão para todas as famílias que ainda não conseguiram compreender que amar uma pessoa do mesmo sexo não é uma escolha.

Beijei uma mulher aos 12 anos.  Voltei a me relacionar com o sexo feminino aos 17, depois de dois namoros sérios com homens. Não durou. Sofri, ainda gosto dela e acho que sempre vou gostar. Mas o mais importante desse breve relacionamento foi, pela primeira vez na vida, a vontade de contar à minha família. 

Minha mãe, uma grande homofóbica, desconfiou e me perguntou diretamente se eu já tinha me envolvido com uma mulher. Cansei de mentir e respondi que sim. Vieram os discursos sobre religião, apesar de ela nem ser religiosa. Depois o ‘seu pai vai morrer se souber disso’. Mas eu sei que não é verdade. Meu pai é uma pessoa super liberal e não está nem aí para a vida pessoal dos filhos.

Ela ficou sem falar comigo por dias. Já perdi as contas de quantas vezes ela disse que tinha nojo de mim e que não era mais a minha mãe. Pensou em me mandar pra fora de casa, porque disse que nunca iria aceitar, não era capaz. 

Contou para a família toda, pedindo para que todos me deixassem sentindo ainda pior. Ainda me lembro do único dia em que tive a esperança de que a mente dela mudaria. Me chamou para tomar banho com ela e ficamos sentadas no box conversado debaixo d´água. Ela me perguntou várias coisas, sobre sexo com homens e mulheres, sobre atração, respeito. Parecia que ela dizia: ‘eu não quero que você seja promíscua por ser gay’. Mas ela não parou de me machucar com suas palavras. 

Com tudo isso, fiquei um mês sem ver a garota com quem estava me relacionando. Ela terminou comigo. Decidi, depois de tudo isso, que se um dia eu achar alguém que me ame, que queira ficar comigo, não hesitarei em contar para minha família e dizer: ‘é isso, sinto muito’. 

Enquanto isso não acontece, passarei os dias ouvindo piadas e indiretas. Como uma pessoa tão generosa , sensível e amorosa consegue ao mesmo tempo ser tão ignorante e maliciosa? 

Ainda preciso me descobrir, preciso de independência e só então viverei do jeito que eu achar que devo. Vou fugir da minha prisão emocional e viver melhor e mais feliz. 

Famílias, prestem atenção no que vocês estão realmente fazendo com seus filhos.

Convido agora os leitores a contarem também suas histórias de prisões emocionais.
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