Samantha percebeu que Verônica, sua colega de trabalho, a tratava diferente. Fazia sempre questão de encostar em seu corpo de alguma forma. Nos braços, ombro, mãos. De vez em quando soltava brincadeiras sobre o assunto: “Se a gente fosse casada, eu teria muito ciúmes de você”.

As atitudes de Verônica mexiam muito com Samantha, que nunca havia se envolvido com uma mulher, mas sempre alimentou o desejo secretamente. Ela não sabia o que fazer diante da situação. Deveria ter uma conversa franca com essa colega? Poderia chamá-la para sair e tomar alguma atitude?

Tinha medo. Medo das consequências. E se ela estivesse fantasiando toda essa situação? E se aqueles olhares diferentes fossem apenas um reflexo do seu desejo interno? Era muito difícil decifrar.

Começaram a sair mais, como amigas mesmo, em alguns eventos de trabalho. Em uma dessas ocasiões, saíram as duas e mais três conhecidos. Estavam em um bar agitado com mesas e duas pistas de dança. Verônica começou a beber. Samantha pediu apenas um suco e sentou em uma das mesas, um pouco mais afastada do agito.

À medida que o álcool subia, Verônica fazia questão de falar o quanto gostava de homens. Samantha ouvia calada, não dava opiniões. Em dado momento, Verônica se aproximou, encostou nas mãos de Samantha e disse em seu ouvido: “Sempre quis te beijar”. Samantha ficou lívida e antes que pudesse responder sentiu os lábios da colega nos seus.

O beijo foi intenso, rápido e cheio de temores. Ambas estavam preocupadas com os olhares alheios. Não havia ninguém na mesa. Verônica saiu rapidamente dali e Samantha ficou minutos estática, o coração disparado.

No dia seguinte, Samantha soube que Verônia havia pedido demissão. A colega não suportou a ideia de se envolver com uma mulher. Verônica sempre sentiu necessidade de reforçar o quanto gostava de homens, era uma história diferente por semana. A família dela era religiosa e muitas vezes Samantha ouviu a colega fazendo críticas a gays e lésbicas.

O que havia acontecido naquela mesa de bar? Elas nunca descobririam. Verônica excluiu qualquer possibilidade de ver a continuação desse possível romance.

Essa é uma história misturada. Para não revelar a identidade de ninguém, o BlogSouBi mesclou três histórias recebidas por e-mail para mostrar o quanto os acontecimentos podem ser similares. Tamanha similaridade mostra que ainda não estamos preparados para lidar com a sexualidade. Estamos aprisionados em padrões de comportamento.

Deixamos de viver a vida que gostaríamos para deixar os outros mais felizes. Os pais mais felizes, os amigos mais felizes. Sobrevivemos com a felicidade dos outros e fugimos da nossa. Acreditamos que um dia a sociedade possa mudar e respeitar um sentimento que existe há milênios. Mas não, ela não vai mudar. Não como muitos de nós gostaríamos – de maneira natural e sem grandes crises. A mudança deve ser iniciada por você. Comece admitindo para você mesma os seus verdadeiros desejos.