Recebi um recado nada caloroso de Suely, uma mãe aparentemente furiosa por descobrir que sua filha acessava o BlogSouBiEla diz que levou um choque ao ver a filha participando do meu “palco cheio de artifícios, de maquiagem”. Para ela, me escondo em outro mundo. Um mundo desesperado de pessoas que querem ser aceitas e incluídas.

Suely ainda afirma que as “mentes inseguras” não precisam do meu apoio psicológico dando força a ações que entristecem uma mãe. “Não é preconceito, é desilusão vê-los dessa forma, mostrando uma intimidade que implora por aceitação”. 

Ao ler o comentário dessa mãe preocupada, achei que Suely merecia uma carta aberta. Ela pensa como as mães (e pais) de muitos leitores do BlogSouBi e essa é a mensagem que eu gostaria de dizer a todas elas.

Suely, preste atenção às suas palavras. Por que sua filha estaria implorando por aceitação? Por qual motivo ela tem procurado conversar com outras pessoas sobre suas inseguranças e aflições?

Você, assim como outras mães, acredita que a sexualidae de sua filha é algo ruim, que a entristece. E obviamente, sua filha se sente mal por isso.

Provavelmente ela não quer ver a mãe triste. Não quer ser motivo de vergonha para a família. Você diz ter levado um choque ao descobrir que ela lia um blog sobre bissexualidade. Será que vocês têm conversado a respeito? Existe abertura para um diálogo sincero e aberto? 

Suely, não é a mim a quem você deve culpar. Nem à sua filha. Em vez de nos apontar o dedo, leia sobre o assunto. Procure entender o que é homossexualidade ou bissexualidade. Muitos pais passam a vida inteira sem entender isso e acabam se afastando de seus filhos.

Sei que não é fácil entender quando não se passa por isso, quando há o desconhecimento sobre o assunto. 

Você diz que eu deveria me colocar no lugar das mães “que esperavam outras escolhas para seus filhos”. Suely, a sua filha não fez uma escolha. Assim como eu também não fiz.

Ao amar (se ainda ama) um homem, você fez uma opção ou esse sentimento surgiu? Procure entender e conversar com ela. Não faça críticas nem a condene. Tente saber como ela pensa, quem ela é. 

Não é sofrimento ter uma filha lésbica ou bissexual. Não queira que ela viva a vida que você escolheu para ela. Agora sim estamos falando de escolhas. Você diz que criei um “outro mundo”, quando na verdade quem criou um mundo paralelo foi uma sociedade que ainda não aprendeu a respeitar as diferenças. Não aprendeu o que é o amor.

Recebo com frequência histórias muito tristes de adolescentes e adultos desesperados pela falta de aceitação dos pais. Alguns são expulsos de casa, outros perdem totalmente o contato. Uma reportagem recente mostrou o quanto a homofobia pode destruir uma família. Um adolescente contou ao pai que era gay e ele, sem pestanejar, o expulsou de casa. A mãe de um colega o acolheu e depois de um tempo decidiu pedir sua guarda. Os pais biológicos não se importaram e o deixaram viver com outra família. 

Que pessoa gostaria de sofrer tal rejeição? Você realmente acha que esse garoto fez uma escolha? Quem fez uma escolha foram os pais: de não aceitá-lo como ele realmente é. Já os pais adotivos escolheram amá-lo, independentemente de quem ele seja.

O que é ser gay, lésbica ou bissexual? É amar outra pessoa. Estamos falando de amor. Não é essa a grande lição que a humanidade deveria ter aprendido?

Sei que não é fácil aceitar no começo, Suely. Sei que não quer ver a sua filha sofrer. E é exatamente por isso que você pode procurar entendê-la. 

O objetivo do BlogSouBi não é influenciar ninguém. É debater sobre nossos medos, inseguranças e, principalmente, sobre nossa sexualidade. O fato de você ter vindo até mim, mesmo que para fazer críticas, já demonstra a sua preocupação em querer ver sua filha bem.

É dentro de casa que ela se sentirá verdadeiramente acolhida. É com o amor de mãe que ela perceberá que pode ser feliz sendo quem é. Deixe esse caminho menos tortuoso para ela.

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Aproveito para recomendar o filme Orações para Bobby, baseado em fatos reais. Ele está na íntegra, logo abaixo.

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