Aos 50 anos consegui admitir a mim mesma que era lésbica. Sou casada há mais de 25 anos e tenho uma filha de 15. O meu casamento tem sido um martírio, pois não tenho nenhum desejo.

Sempre me atraí por mulheres, mas nunca tive coragem de assumir. Depois vieram as proibições religiosas. Tem sido angustiante a minha vida sexual. Desde adolescência, os meus primeiros contatos com o sexo foram com homens, mas nunca foram bons. Eu achava que era por que não rolava paixão. Aos 16 anos, tive um relacionamento diferente com uma colega de trabalho. Ela me agradava, estávamos sempre juntas, rolava muito carinho. Mas nunca nos tocamos. Existia a vontade, mas havia muito medo, pois na minha cabeça, quem gostava de mulher era sapatão, machona, e eu sempre fui feminina. Não entendia o mundo lésbico.

Acabei me casando mais por conveniência do que por paixão. Para ter um pouco de prazer, fecho os olhos e me imagino transando com uma mulher. Sonho muito em poder experimentar, pois só de olhar uma mulher interessante já sinto que terei plenitude no sexo. O meu marido não entende o porquê de não procurá-lo e não ter alegria no nosso relacionamento sexual. Em outras áreas da nossa vida, nos damos bem. Ele é um ótimo marido e me sinto culpada por não ter prazer com ele. Mas não tenho coragem de falar.

A única vez que falei disso com alguém foi aqui, no BlogSouBi, porque sei que não serei rejeitada. Tenho muito medo de enfrentar o mundo, a família. Já pensei em divórcio, mas o medo é maior e acabo deixando as coisas como estão. Penso até quando vou conseguir suportar esse segredo. Desabafar está me fazendo muito bem.

O desabafo foi feito por uma leitora do BlogSouBi. Ela é prova de que não existe cura gay. As pessoas simulam mentiras por muitos anos apenas para agradar os que estão à sua volta.

O medo, a imposição da família e o julgamento da sociedade podem levar alguém a fazer esse tipo de escolha: fingir que é feliz. 

“O tempo das verdades plurais acabou. Agora vivemos no tempo da mentira universal. Nunca se mentiu tanto. Vivemos na mentira, todos os dias”, escreveu o escritor português José Saramago. Esse agora já dura há muito tempo. 

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