Essa é uma das perguntas mais comuns no BlogSouBi. São mulheres que já se atraíram ou estão atraídas por alguém do sexo feminino ou apenas curiosas por uma experiência homossexual.

Elas questionam se esses desejos as tornam lésbicas ou bissexuais. Pergunto se existiria algum problema, caso descobrissem que realmente gostam de mulher. A resposta é quase sempre a mesma: “Não, não tem problema. Mas será que eu sou? Essa dúvida tem me atormentado”.

Apesar da negativa, fica claramente nítido o desconforto com a possibilidae de fazerem parte do grupo LGBT. Não as culpo. O conservadorismo que ainda impera na sociedade dificulta o processo de aceitação.

Acabei percebendo que o problema não é sentir atração por alguém do mesmo sexo, mas ser lésbica, bissexual, gay ou qualquer outro rótulo vitimado pelo preconceito.

Um bom exemplo disso são os gOys, homens que gostam de homens, mas dizem ser heterossexuais. Eles podem fazer tudo entre eles, menos a penetração, o que configuraria que eles são gays.

Os gOys representam um “eufemismo”. Eles gostam de homens, como os gays, mas não querem ser tachados como tais. Dessa forma, realizam os seus desejos sem passar pelo “crivo” da sociedade – ou pelo menos acreditando que não vão passar por ele.

O incômodo está no rótulo. Ninguém quer ser visto de maneira ruim pela “opinião pública”. Para muitas pessoas, não há problema em ter uma relação homossexual desde que você não seja homossexual. 

Então, para fugir dessas classificações, as pessoas preferem dizer coisas do tipo: “Gosto de pessoas”, “Fico atraída por qualquer gênero” ou “Sou heterossexual, mas gosto de ter uns casos com pessoas do mesmo sexo”.

De fato, não há nenhum mal em fugir de rótulos. São eles que nos aprisionam ao longo da vida. “Não posso gostar de homem, porque sou heterossexual”, “Não posso gostar de mulher, porque sou gay” ou “Nunca me apaixonei por uma mulher, então não posso ser lésbica, tenho só casinhos com elas”.

Já recebi relatos de homens que foram casados por muitos anos com uma mulher e se apaixonaram por outro homem aos 50 anos. Eles “viraram” gays? Alguns sempre foram, mas nunca tiveram coragem de assumir. Outros realmente amaram a ex esposa, mas quiseram dar chance a esse outro desejo. Há casos e casos, mas a sociedade sempre vai apontar o dedo dizendo que ele passou a vida inteira no armário. A bissexualidade nem entra na discussão.

Como disse o psicólogo Marcos Garcia, membro da Comissão de Direitos Humanos do CFP (Conselho Federal de Psicologia) ao UOL, a orientação sexual não é permanente e imutável, também depende da vontade da pessoa. “Pode mudar no decorrer da vida, mas não é algo sujeito a uma escolha consciente”.

Ninguém vira nada. Nós só temos sentimentos e atrações diferentes ao longo da vida. Pode ser que você nunca se apaixone por alguém do mesmo sexo ou que nunca tenha uma experiência homossexual. Mas não muda o fato de que isso poderia acontecer, caso você conhecesse alguém que mudasse totalmente a sua visão de quem você realmente é.

Não estou dizendo que todos temos potencial para ser homossexual, bissexual ou qualquer outro rótulo. Apenas afirmo que você pode se surpreender, como muitos relatos que tenho visto desde que criei o blog. Mulheres que nunca haviam se atraído por outra mulher, de repente se veem apaixonadas pela colega de trabalho ou pela melhor amiga. Ou homens que estão na academia e de repente se veem desejando o musculoso ao lado.

Se realmente tivéssemos consciência de que todos esses desejos e sentimentos fazem parte da natureza humana não estaríamos tão preocupados com tais definições. Na prática, o que muda se você gosta de mulher e é “heterossexual” ou gosta de mulher e é “lésbica”? Apenas a nomenclatura e o seu desejo de ser aceita por uma sociedade hipócrita.

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