Na cultura brasileira, muitas mulheres não estão acostumadas a exercitar a arte da conquista. Elas simplesmente esperam uma abordagem porque “aprenderam” que deveria ser assim. Essa (falta de) atitude nos criou um grande problema, principalmente quando nos descobrimos lésbicas ou bissexuais.

Quando tive coragem de realizar os meus desejos, eu falhava por não conseguir abordar uma mulher. Nos bares, nas baladas e até na internet. Eu tinha extrema dificuldade em iniciar qualquer conversa. Não saía.

Como fomos “treinadas” a olhar, dar um sorriso e esperar, identifiquei que flertar com uma mulher era iniciar um braço de ferro para ver quem “cai” primeiro. No final, as duas saíam perdendo – ninguém cedia. Quando estava solteira, fiquei uma balada inteira trocando olhares com uma mulher e nada aconteceu porque ficamos “esperando” a outra.

Há também outro ponto de grande influência: o medo da rejeição. Queremos até tentar uma vez, mas não queremos insistir. Temos grande dificuldade em lidar com um NÃO. O orgulho, o medo e o comodismo nos fazem perder muitas oportunidades. Não foi o caso de Eduarda*. Ela não teve medo de insistir quando percebeu que o interesse poderia ser recíproco.

Eduarda mora em Portugal e ao conhecer Bianca* em um jogo de futebol se apaixonou. Quando tentava conversar com ela, travava completamente”. Era a sua primeira paixão lésbica. Até então, ela não sabia que poderia se apaixonar por uma mulher.

O novo sentimento a fez começar a vasculhar a vida de sua nova paixão. Descobriu que ela morava em Cabo Verde e tinha um namorado. ”Quando soube que ela namorava, isso me incomodou muito. Então tive certeza de que estava mesmo apaixonada. Chegou um período que eu decidi esquecer tudo, tirá-la da minha cabeça. Arrumei um namorado. Mas o tempo passou e eu não consegui esquecê-la. Eu estava, na verdade, com medo da reação dela”.

Passado o tempo de fuga, elas trocaram mensagens. No reencontro, Eduarda tomou coragem e falou tudo o que sentia. “Ela reagiu normalmente e me deu um abraço apertado. Disse que já desconfiava pela forma como eu olhava para ela. Afirmou que nada mudaria entre nós e que continuaríamos amigas. Fiquei aliviada pela maneira como ela reagiu, mas não muito contente, pois esperava outra reação”. 

Descontente com o resultado daquela conversa, Eduarda fez as malas e foi até a cidade de Bianca. “Disse que a amava e que não conseguia ficar longe. Nos beijamos e a pedi em namoro. Ela não aceitou em um primeiro momento. Não queria acreditar que estava começando a gostar de mim, pensava que era apenas atração”. Não passou muito tempo e Bianca percebeu que o sentimento era verdadeiro. Aceitou, por fim, o namoro.

“Não foi fácil conquistá-la. Procurei fazer de tudo. Fui romântica, atenciosa, cuidadosa e me aproximei cada vez mais. Fui atrás dela mesmo. Ela disse que a conquistei por que nunca ninguém havia feito uma loucura por ela”.
O que fez Eduarda ir tão longe? Ela julgou que não tinha nada a perder. Em muitos casos, tomar essa decisão envolve “muitos riscos”. Perder a amizade está entre eles. O mais importante, nesse caso, é ir identificando aos poucos se o sentimento também existe do outro lado. Só terá a perder quem não estiver disposta a nada disso.*Os nomes são fictícios para preservar a identidade das leitoras 
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