Buck-AngelBuck Angel chegou em uma casa noturna com intuito de ter uma experiência gay. Ele chama a atenção. Corpo atlético, 1.75 cm de altura, barba ruiva, olhos verdes, tatuagens nos braços e peitoral.

Depois de observar atentamente o ambiente, trocou olhares mais intensos com outro homem. O flerte foi iniciado e rapidamente se beijaram. Antes que pudessem ir para a segunda etapa, disse apreensivo: “Eu tenho uma vagina”. Ele não sabia como o homem encararia tal afirmação, mas não podia levá-lo para cama sem antes alertá-lo. A resposta foi surpreendente: “Não entendi muito bem, mas qual o problema disso?”. 

Foi neste momento que Buck Angel se deu conta de que não teria problemas em ser um homem com vagina. Muitas pessoas iriam aceitá-lo desta maneira. Esse é um dos ensinamentos concedidos por Buck a cerca de 40 pessoas presentes em um workshop realizado no 23° Festival Mix Brasil, em 20 de novembro.

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“O que é ser um homem, é ter um pênis?”, questionou em sua apresentação. “Eu amo ter uma vagina e estou muito bem com ela”. O posicionamento de Buck, uma voz importante no mundo transexual, traz mais elementos para a discussão de gênero ao redor do mundo.

A cultura da “construção do gênero” se tornou mais forte que a própria biologia, considerando que os intersexos [conhecidos popularmente como hermafroditas] representam 1 em cada 2 mil pessoas no mundo, segundo a ISAN – Intersex Society of North America. Onde enquadramos uma pessoa que “nasce com os dois sexos”? Podemos continuar encenando o masculino e o feminino quando ambos são muito mais complementos que opostos?

Como uma maneira de quebrar o padrão heteronormativo, Buck Angel começou a produzir pornôs para enaltecer a sua “vagina poderosa”, como ele mesmo gosta de chamar. Fez filmes com homens e mulheres e se considera bissexual. “Descobri a minha atração por homens quando me tornei um. Foi algo muito louco. Eu me perguntei, peraí, eu também gosto deles?”. A relação sexual com um homem foi incrível, conta. ”Eu me sentia melhor com meu órgão sendo um homem do que quando era uma mulher. Foi o meu momento de empoderamento”.

Reconhecer que seu órgão feminino complementava o seu corpo masculino foi definitivo no processo de aceitação. Os filmes mais recentes produzidos pelo ativista LGBT mostram que ele não é único. Há muitos outros homens com vagina mantendo relações sexuais saudáveis e prazerosas com homens e mulheres. Buck passou a se relacionar com ambos e viveu durante 10 anos com uma mulher. O divórcio foi anunciado em 2014.

Ao ser questionado por um homem trans sobre a dificuldade de se relacionar com mulheres, ele respondeu: ”Muitas pessoas podem não gostar de você do jeito que é. Mas terão muitas outras que irão se interessar, fique tranquilo”.

Problemas na adolescência

Antes de começar a tomar hormônios e abandonar o corpo de Susan Lee – seu nome de batismo -, Buck Angel tentou suicídio na adolescência, usou drogas e morou na rua. Foi internado pelos pais em uma clínica. Os especialistas o consideraram doente quando afirmou que se sentia como um homem. O “diagnóstico” mudou quando encontrou uma pessoa que o ajudou a descobrir que ele poderia ser quem sempre quis. 

Ao passar pelo processo de transgenitalização [conhecido popularmente como mudança de sexo] optou por manter a vagina – foi informado que um pênis poderia tirar sua sensibilidade. Não desfrutaria mais do sexo como antes. Ele comemora a decisão. Sem dúvida, suas experiências mostraram que a sua vida sexual ficou muito mais interessante.

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