Nasci em uma cidadezinha do interior em uma família tradicional católica. Sou engenheira, 24 anos, e sempre fui muito ligada a Deus. Desde pequena participei de grupos de oração e acabei descobrindo meus dons para música nos ministérios.

Minha fé me ajudou muito, principalmente porque perdi meu pai muito cedo, aos 10 anos. Talvez por ter tido uma infância difícil, para mim era complicado me envolver com alguém. Eu não conseguia gostar dos poucos rapazes com quem me envolvi. Alguns gostaram muito de mim, mas eu não conseguia corresponder. Inventei uma paixãozinha por um amigo, que nunca gostou de mim. Vi ali um bom motivo para explicar o porquê de estar sozinha. Eu não era correspondida.

Confesso que minha autoestima também não era muito grande, nem minha vaidade. Minhas amigas de infância muitas vezes me fizeram sentir como o patinho feito da turma, mas isso mudou quando entrei na faculdade. Conheci pessoas novas, com quem fiz amizade e elas eram bem parecias comigo. Minha vida social deu um grande salto.

Minha família continuava questionando por que eu ainda estava solteira, ao contrário da minha irmã, que era muito vaidosa e sempre estava namorando. Minha mãe dizia que eu “estava estudando muito”. No início da faculdade, fiquei muito próxima de uma amiga, mas ela acabou deixando o curso após os primeiros seis meses. A nossa relação foi ótim. Eu fazia de tudo para agradá-la e sem nenhuma outra intenção. Minha mãe se irritava com a nossa amizade. Como sofri com a saída dela. Eu gostava tanto daquela menina que quando ela decidiu deixar o curso, mesmo tendo consciência do meu sofrimento, rezei uma semana inteira para que ela passasse. Ajoelhei mesmo e pedi, como nunca havia pedido nada a Deus. E ela conseguiu, por merecimento. Perdemos o vínculo.

Fiz uma outra amizade que acabou mexendo demais comigo. Nos aproximamos muito e eu comecei a cuidar dela exageradamente. Éramos muito parecidas. Mas, novamente, a vida a tirou de perto de mim. Ela foi para o exterior fazer intercâmbio e eu fiquei extremamente feliz por sua conquista. Ela nunca soube, mas eu chorei quase todos os dias pela falta que ela me fez. Que dor. A gente se falou muito por Skype, mas não era a mesma coisa. Fui me afastando aos poucos e o sentimento se transformou. Permaneceu a amizade verdadeira.

Até então eu nunca havia questionado a minha sexualidade. Cresci ouvindo que se tratava de um pecado enorme. Então sempre acreditei que o meu coração estava apenas gelado e tudo poderia ser carência. Eu estava à espera de algo que me fizesse sentir mais viva. Pedia a Deus para me enviar alguém para caminhar comigo, mas eu enfatizava muito bem que eu queria alguém que eu amasse. Estranho, não é? Geralmente as pessoas pedem alguém que as ame. Eu queria conseguir amar.

Voltei para a Igreja e para o ministério de música. Antes de entrar, comecei a assistir os vídeos de alguns integrantes do grupo e uma moça em especial me encantou. Era miudinha, mas quando abria a boca para cantar era impressionante. Caramba! Pensei que valia a pena entrar no grupo. Eles têm potencial. Depois de alguns meses, me tornei coordenadora do ministério. E a tal moça se tornou a minha mais nova “melhor amiga”. Eu tinha o maior cuidado do mundo com ela. Era o ombro amigo. Fui conquistando a confiança dela e percebi o quanto ela tinha o coração bom. Bondosa, caridosa e sensata. Ficamos inseparáveis.

Eu estava no último semestre de graduação e ela foi uma base, uma força, uma motivação. Conversávamos dia e noite no celular. Mandávamos áudio cantando uma pra outra. Eu saía da universidade e passava direto na casa dela para ter aquele abraço que preenchia meu coração de vontade de viver. E existia uma correspondência sem igual. Era o sentimento mais puro possível. Não havia maldade. Nossas conversas se tornaram cada vez mais frequentes e ficávamos horas conversando no carro, sem vontade de deixar a outra ir.

Mas minha amiga também era uma moça depressiva. Da mesma forma que eu, ela vem de uma família extremamente tradicional e religiosa. O pai acredita que sua filosofia de criar os filhos é a melhor e incontestável. Ela não tinha permissão para sair para nada. Aquilo a machucava demais. A família a conhecia muito pouco. Não sabiam seus sonhos, seus gostos. Ela mesmo não os conhecia. Ela só aceitava tudo de cabeça baixa. Dizia ter criado um mundo fantasioso em sua imaginação e vivia nele para fugir da realidade.

Passávamos horas deitadas uma no colo da outra, só nos olhando e, por vezes, enxugando as lágrimas que surgiam. E aos poucos as famosas borboletas começaram a surgir. Eu sei que ela começou a ficar confusa com tudo isso. E eu também.

Em um encontro de jovens que organizamos, precisávamos dormir todos juntos em uma chácara. Nosso quarto estava com seis meninas. Deitamos uma do lado da outra. Ela deitou e logo foi pra longe de mim. Estranhe e a chamei: “Ei, vem cá, deixa eu te abraçar”. Ela chegou mais perto, então pude passar o braço em sua cintura. Estava no melhor lugar do mundo. O tempo poderia parar. Meio sem jeito, sem saber direito onde colocar os braços, me ajeitei e ali ficamos. Até que ela decidiu se virar para me olhar. Nosso olhar dizia tanta coisa, tinha tanta dor. Nos conhecíamos como ninguém. E mesmo naquela escuridão, eu podia ver o brilho nos seus olhos, tentando entender aquele sentimento. Sem saber por que os nossos corações batiam forte. A peguei chorando durante a noite. Não dormimos. Viramos de várias formas, mas não dava. Queríamos aproveitar o momento raro que tínhamos ali.

Estávamos vivendo um drama. Nós mesmas víamos que aquilo estava exagerado, mas quem dizia que conseguíamos nos afastar? Doía pensar em qualquer coisa do tipo, uma precisava da outra, estar perto e ter que nos conter, sem poder tocá-la ou acariciá-la era uma tortura. Brigamos  várias vezes por isso, uma cobrava muita atenção da outra. Os outros amigos em comum não entendiam o que acontecia. Combinávamos sempre de rezar, com a esperança de ver aquilo “melhorar”. E a família dela já começava a me olhar torto. Um dia a mãe dela ficou nos espiando na frente de sua casa pelo buraquinho do portão e a viu passar a mão em minha barriga, brincando. Quando ela entrou em casa foi jogada na parede. A mãe questionava o carinho comigo que não existia com eles em casa. Ela demorou semanas para me contar isso, porque não quis me atrapalhar durante a entrega do meu TCC. Sofreu sozinha com tamanha acusação. Imagino que a família disse várias outras coisas que não sei até hoje. Ela havia tido somente um namoradinho de infância, que nunca nem chegou a ficar direito, pois era insegura, devido à criação fechada.  Ele a abandonou, afinal ele queria ter algo a mais e ela não correspondia, o que partiu seu coração. Isso era mais um motivo pelo qual eu me aproximei tanto, pois ela guardava muitas feridas como esta e eu quis tentar ajudá-la, era frequente sua vontade de sumir, morrer ou qualquer coisa do tipo, o que para mim era terrível.

Minha colação de grau chegou e ela fez uma faixa linda pra mim, junto com um amigo nosso, que tinha um “carinho” grande por mim. Eu adorei. Nunca vou esquecer, vê-la entrando naquele lugar. Mas esse tal amigo se tornou o outro personagem dessa história. Ele também era do ministério de música e gostava de mim. Minha família começou a perceber o interesse do tal rapaz e me vi encurralada. Contei para a ela sobre isso e a vi emburrada por uma semana.

Eu não parava de sonhar com ela. Mas pensava que era abuso da minha parte. Um assédio quase. Por vezes ela me beijava no rosto e eu tentava facilitar, mas ela não tomava a frente e eu pensava que jamais o faria, pois seria um absurdo. Mas um dia, em meio àquela loucura interior, decidi que descobriria se ela queria a mesma coisa. Meus pais foram viajar e eu ficaria sozinha em casa. A chamei, mas o pai dela não deixou. Bebi umas cinco cervejas. Saí à noite para levar minha cachorrinha e parei na casa dela. Ela não percebeu logo de cara que eu estava alterada. Sentamos em frente à casa dela e ficamos brincando com a cachorra. Ela chegou bem perto do meu rosto, foi quando sentiu o cheiro do álcool e percebeu o quanto eu estava me segurando para não fazer o que meu coração desejava ali mesmo.Eu fechei o pulso com toda força, me contendo, ela pegou na minha mão e me olhou, tentando compreender. Acho que ficou muito claro o quanto estávamos sofrendo. Fui embora rapidamente e tentei esquecer tudo aquilo.

Foi então que eu cometi meu maior erro. O erro de envolver mais alguém nessa minha vida confusa. Era claro que eu precisava de alguém, e nosso amigo era uma pessoa muito agradável. Foi quando fui atrás dele por uns dias e começamos a ficar, o que da parte dele já foi o início do namoro. Não vou ser hipócrita a ponto de dizer que não foi bom. Ele caiu como uma luva e eu gostava sim dele, mas é óbvio que não era o mesmo sentimento. Começamos a namorar e consequentemente fui me afastando um pouco dela, o que a deixou muito mal.

Foi então que me dei conta. Eu realmente a amava. Decidi contar a ela meus sentimentos, mesmo namorando, para resolvermos aquilo juntas. Disse a ela que talvez fosse melhor nos afastarmos e que eu a amava de forma intensa e a desejava muito, mas não sabia o que fazer com tudo aquilo. Meu namorado não entendia o porquê tantas vezes eu estava tão estranha, distante, fria.

Em meio a isso, ela começou a ficar doente, além de estar extremamente magra. Tal situação estava me matando e a vontade dela era somente morrer. Recebi a notícia de que eu havia sido aprovada em dois mestrados. Aceitei ir embora. Ela sofreu demais com a notícia da minha partida, mas me apoiou muito.

Antes de partir, enquanto estávamos em casa sozinhas vendo TV não consegui me controlar e me aproximei. Foi quase, quase o primeiro beijo. Mas ela se afastou e disse a frase que cortou meu coração ao meio: “Eu não te amo assim”. Meu Deus, o que eu estava fazendo? Não acreditava ao mesmo tempo que ela não quisesse, pois tudo indicava que o sentimento era o mesmo.

A situação voltou a acontecer em outro dia e demos um beijo rápido – vindo mais da parte dela do que da minha. Nem pude sentir direito seus lábios. Logo nos largamos e ela teve de ir embora. Passando isso, ela declarou sentir o mesmo por mim e afirmou que esse sentimento vinha de muito tempo. O que ela havia falado da outra vez era uma fuga.

As datas festivas passaram – Natal e Ano Novo – e o nosso drama continuou. Minha mãe sempre fazia comentários do tipo: “Você parece se importar mais com ela do que com seu namorado”. Aquilo era a morte pra mim. Se ela descobrisse, me condenaria mais.

Mas não conseguimos parar. Como presente, ela pediu que eu tirasse no violão a música Give me love, do Ed Sheeran. Um dia, na minha casa, fomos para o meu quarto e ficamos um tempo cantando a música. Como sempre fazíamos, ela deitou no meu colo e a fiquei admirando por um tempo, acariciando seu rosto. Eu estava me segurando, mas talvez o vinho tenha me ajudado a tomar a decisão mais louca que eu podia ter tido. Beijei-a na testa, em seguida no nariz, na bochecha, no canto da boca e nisso as borboletas já estavam quase me levantando, meu coração parecia querer sair de dentro de mim. Beijei-a de verdade nos lábios. Devagar e de forma intensa. Tive o sentimento que eu tanto sonhara e a certeza de estar beijando alguém que realmente amava de verdade. Eu já não podia mais parar. Ela somente ficou sentindo o beijo por um tempo e começou a me corresponder. Que beijo maravilhoso. Ficamos por um bom tempo aquela noite até ela ir embora. Ela chorou de emoção com tudo aquilo e me beijava desesperadamente, não parecia se importar com mais nada no mundo. O tempo havia parado.

Ao mesmo tempo eu me culpava demais. Ela nunca havia beijado ninguém daquela forma. Quem era eu para fazer aquilo? Tirar a pureza daquela boca linda, daquela moça inocente? E meu namorado? Eu o estava traindo. Meu namoro começou a virar um inferno e eu não sabia o que fazer.

Então chegou uma boa notícia. Ela passou no vestibular. Que alegria, meu Deus. Eu rezei tanto por aquilo, ela se esforçou tanto. Que orgulho senti. Queria beijá-la com todo o meu amor, mas não pude, pois estava na casa dela. Ela começou o curso e, por vezes, brigávamos. Tentávamos nos afastar e parar com tudo, mas era impossível. E ela só foi perdendo peso, foi ficando mais doente e depressiva. A família não a levou a um psicólogo ou ao médico para ver o motivo da magreza e das dores abdominais.

E agora eu estava longe e, ao contrário do que eu imaginava, tudo se potencializou. Eu estava morando sozinha e a saudade me matava. Eu não sentia saudades do meu namorado, somente dela. Fui vendo que não tinha outra escolha, a não ser terminar o namoro. Eu sinto tanto por ter feito isso com ele. Realmente, ele é uma pessoa incrível. Mas eu não conseguia corresponder.

Ao mesmo tempo que terminei o namoro, o médicos descobriram os motivos das dores abdominais dela. Era uma endometriose avançada e um cisto do tamanho de uma laranja no ovário. Ela estava passando mal constantemente, não comia direito e o pai ameaçava trancar a faculdade, que era seu sonho. Quando eu voltava para casa, a cada 15 dias, tentava sempre visitá-la.

Ela então desapareceu do WhatsApp. Entrei em crise, sem saber o que tinha acontecido. Imaginei que os pais dela pegaram o celular. E foi exatamente o que aconteceu. Ela mandou um e-mail dizendo que o pai a havia proibido de usar a internet. Ou seja, queriam afastá-la de mim.

Quando voltei para casa, minha mãe e meu padrasto disseram que precisávamos conversar. Então meu mundo veio ao chão. Os pais dela tiveram acesso às nossas mensagem e ela não teve como negar. Confirmou que tínhamos um relacionamento. A reação deles foi ir até a minha casa e jogar essa bomba nas mãos dos meus pais.  As afirmações deles foram: “Sua filha é problemática, se aproveitou de nossa filha, por não ter pai, e, ela por ser muito boa a acolheu. Ela ficou depressiva depois que a conheceu, só definhou por ter essa amizade.  Em nossa casa está tudo certo, ela já se arrependeu, nos pediu perdão e perdão a Deus. Agora resolvam vocês com sua filha.”

Confirmei tudo, tentei explicar o que sentia, mas nesse ponto não haveria uma pessoa no mundo que conseguiria compreender nossa situação. Meu mundo caiu completamente. Minha mãe só sabia chorar quando falávamos sobre isso.  Ela chegou a dizer que aquilo era pecado e não era de Deus, e tudo tinha sido uma provação, mas se eu decidisse por isso, ela tentaria entender. Só não poderíamos expor para toda a família. Ela tinha vergonha de mim.

Fui tentando focar nos meus estudos e comecei a ficar totalmente descontrolada. Eu que era tão forte, tão racional, me vi sozinha e perdida. Nas minhas férias, depois de quase cinco meses sem vê-la, decidi ir atrás dela na faculdade. Quando ela me viu ficou extasiada e me abraçou tão forte, sem acreditar que eu estava lá. Eu estava fora de mim, não sabia como reagir, o que dizer. Pedi perdão por ter causado tantos problemas. Ela disse que prometera para o pai que não teria contato comigo e se sentia extremamente culpada em mentir para ele. Ela pediu várias vezes pra que eu ficasse bem, que a gente cumprisse nossa promessa de nunca fazer mal para nós mesmas. Eu não sabia falar nada, perdi minhas palavras. Eu precisava ir embora e ela para a aula. Ela disse que precisaria contar ao pai do nosso encontro, pois não podia mentir mais pra ele. Eu achei que seria bom e falei que gostaria de conversar com ele. Nos despedimos com um abraço caloroso e um “eu te amo” ainda mais sofrido. Contei para minha mãe e ela ficou sem saber o que dizer. Falou apenas que imaginava que eu faria isso.

Dois dias depois fui vê-la novamente na faculdade, com hora marcada. Cheguei muito nervosa, ela estava demorando. Veio sozinha, já me abraçando e chorando. Disse que tínhamos apenas alguns minutos. O pai estava lá e tinha nos dado um tempo para conversarmos. Fiquei até sem ar. O que eu falaria pra ele?

Antes da chegada dele, ela disse que quando tudo desabou esperava que eu aparecesse, fosse até eles e brigasse por ela. E eu não fiz nada disso, nada. Fiquei muito mal. Ela disse que não se arrependia de ter vivido um amor muito lindo e por me amar muito. Mas se arrependia por que era muito pior não poder me ter na vida dela, mesmo que não tivéssemos nada. Como foi difícil.

Vi o pai dela se aproximando. Levantei e o cumprimentei. Disse que deveríamos conversar. Ele disse que não tinha nada pra falar, mas na verdade falou bastante. Fez várias afirmações. “Vocês não souberam aproveitar a amizade de vocês. São duas moças inteligentes, de família boa, de Deus, como puderam fazer isso?”. Disse que jamais iria apoiar algo do tipo, era errado. Proibiu qualquer contato e afirmou que se descobrisse, eu nunca mais saberia dela. Mas, como cristão, disse que me perdoava e não guardava rancor. Quando foram embora, desabei ali mesmo, por uns bons minutos, fora de mim. Se eu pudesse desaparecer do mundo, seria ali mesmo.

O acesso à internet foi novamente liberado para ela e conversamos pouquíssimas vezes depois disso. Ela estava péssima, sofrendo muito, e se sentia extremamente culpada por mentir. Então me bloqueou. Perdemos contato. Passei muitas vezes na casa dela, a procurando, buscando em todos os lugares. Cheguei a vê-la de longe algumas vezes. A vi cantando em algumas missas e foi uma tortura sem fim. Eu a perdi.

Ela disse uma vez que Deus tem o plano de me colocar novamente na vida dela, mas não sei se isso vai acontecer. O pai sempre a ameaça. O meu coração está um caos. Não tem um minuto sequer que não penso nela. O meu interior se tornou um monstro. Hoje sou extremamente ansiosa, fria e fechada. Não consigo mais dar andamento às coisas como deveria.

O meu amor nunca diminuiu. Não há como descrever a falta que ela me faz. Sempre olho para a foto dela na minha mesa, para trazê-la um pouco para os meus dias. Aprendi com ela a amar. Ela conseguiu quebrar o gelo que eu sentia dentro de mim.

Hoje questiono muito esse “pecado”. Deus é amor e misericórdia. Tenho certeza que Sua vontade é nossa felicidade, desde que não façamos o mal para consegui-la. Esse amor não me parece mal. Não entendo a ideia de felicidade e paz de uma família quando ela assiste um filho definhar e reprimir todos os seus sentimentos, criando uma situação intragável dentro de casa, onde não há conversa, não se conhece, não se suporta. Não acho que essa seja a família sonhada por Deus, mas sim aquela onde existe amor, fidelidade, transparência e o perdão.

O relato foi elaborado com base em depoimento enviado pela leitora