É manter relações sexuais com indivíduos do sexo masculino e feminino? Essa é a definição que o dicionário nos traz. E ela pode causar uma série de confusões.

“Manter” relações sexuais com ambos os sexos pode dar a ideia de que não há satisfação com apenas um parceiro. Podemos ir mais além. Alguns julgamentos discorrem que essas relações devem acontecer ao mesmo tempo.

As pérolas do senso comum são as mais variadas. Entre elas destaco duas: “Bissexuais gostam 50% de mulheres e 50% de homens” e “Vão trair, porque não conseguem ficar satisfeitos com apenas um gênero”.

 

Quando me dei conta da minha bissexualidade, acreditava genuinamente na primeira abordagem. Defendia gostar de homens e mulheres igualmente, porque ainda estava me conhecendo. Havia sempre me relacionado com homens e minhas relações com mulheres estavam começando a amadurecer.

Hoje sei que me atraio mais por mulheres e não vejo problema em fazer tal afirmação. Assim como muitas mulheres bissexuais que participam ativamente do blog afirmam “preferir” se relacionar mais com o sexo masculino. Algumas pessoas conseguem até visualizar a equação dos 50%. Não há regra – ou pelo menos não deveria existir.

Dentro desse entendimento do que é ser bissexual, no entanto, ainda há muita polêmica. Mais de 100 homens bissexuais têm discutido em torno do tema neste post. Um dos comentários mais recentes pode trazer uma carga de preconceito. Ele afirma que não beija homens, apenas tem relações sexuais com eles. “Com mulher, eu faço amor, com beijos, carinhos, aconchego e afetividade”, comenta o leitor no post.

Ele defende que a sua atitude não é um reflexo da sociedade. “É questão de preferência”. Segundo ele, “com homem, o negócio é apenas na cama. Fora dela, não tenho nenhum interesse em ter a companhia de um homem ao meu lado”.

O que essa repulsa com a afetividade masculina pode nos mostrar? Para esse leitor, provavelmente, a companhia de um homem ainda causa estranheza e, de alguma maneira, pode afetar a sua masculinidade. “Já fui passivo algumas vezes e minha masculinidade não diminuiu em nada”, diz ele.

Um homem bissexual não é obrigado a se apaixonar por todo homem que leva para a cama. Mas declarar que não há condições de trocar afeto com alguém do sexo masculino mostra um preconceito implícito. É o machismo arraigado.

Essa repulsa, no entanto, não é uma exclusividade da ala masculina. Muitas mulheres afirmam o mesmo. Antes de me envolver com mulheres, eu também dizia ter apenas uma “atração física”. Afirmava categoricamente que “nunca conseguiria namorar com uma mulher”. Fato que não se mostrou verdadeiro ao longo dos anos.

Os nossos preconceitos internos, aqueles que não queremos admitir, são os mais difíceis de aceitar. Nós nos mostramos pessoas politizadas e “livres de preconceito”, mas quando a situação nos diz respeito, tentamos abafar com “falsos conceitos”.

Assumir a identidade bissexual é entender que nem sempre estaremos dispostos a nos apaixonar por um homem ou por uma mulher, mas que em algum momento, alguém pode nos surpreender.

E mais. Esse alguém pode não estar enquadrado em nenhum dos dois gêneros. Pode ser um intersexual (conhecido como hermafrodita) ou um trans. As gratas surpresas sempre podem ser maiores e melhores.

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