Os bissexuais ainda apresentam uma postura negativa quando confrontados sobre sexualidade. Em função do medo da reação das pessoas e da dificuldade de aceitação, muitos ainda preferem fingir que concordam com discursos de ódio em seus ambientes de convívio.

Uma pesquisa realizada pelo BlogSouBi, e publicada pela revista ÉPOCA, identificou que 54,95% dos bissexuais já falaram mal de gays e bissexuais apenas para agradar amigos e conhecidos. O levantamento foi feito com 3407 internautas entre fevereiro de 2014 e setembro de 2015. A pesquisa continua no ar e já alcança quase 5000 respostas.

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Esse resultado é reflexo da heterossexualidade compulsória, termo culminado pela feminista Adrienne Rich, cuja definição é a ordem dominante pela qual homens e mulheres se veem solicitados ou forçados a “serem” heterossexuais. 

Quando questionados sobre “como se sentem em relação à sua sexualidade”, 43% indicaram estar felizes, mas com medo de sofrer reprovações, enquanto 21% afirmaram estar contentes e não se incomodam com a opinião alheia. Os indiferentes representam 16,3%. Empatados, com 9,83%, estão aqueles que se dizem tristes por saberem que irão sofrer e os descontentes, porque não gostariam de ter nascido assim [bissexuais ou homossexuais].

Como se sente em relação à sexualidade?
47% responderam “estou feliz, mas com medo de reprovações”, enquanto 21% afirmaram “estou feliz e adoro quem sou”.  Empatados, com 9%, estão aqueles que estão tristes e não queriam “ser assim”e os que estão tristes por saberem que irão sofrer. Para 16%, o sentimento é indiferente.

Perfil dos respondentes

A maioria dos respondentes se considera bissexuall (54,12%) e quase metade não consegue ainda se definir (40,95%). Apenas 3,08% se consideram heterossexuais e 1,85% homossexuais.

A renda da maior parte dos participantes é de até R$ 1.000 (42,84%), seguidos por aqueles que ganham entre R$ 1.001 e R$ 3.000 (29,39%) e R$ 3.001 a R$ 5.000 (13,07%). Apenas 9,32% têm salários entre R$ 5.000 e R$ 10.000 e 5,38% ganham acima de R$ 10.000.

A pesquisa foi respondida majoritariamente por pessoas entre 18 e 25 anos (42,90%) e jovens com menos de 18 anos (32,19%). Os respondentes na faixa de 26 a 40 anos somaram o porcentual de 19,53%. Os participantes com mais de 41 anos representaram apenas 5,37%.