Eu não sei sofrer. Essa foi uma das conclusões que a terapia me trouxe. E não saber sofrer é ter medo de ficar sozinha, temer pelas mudanças intensas e necessárias – mesmo que essas mudanças estejam dentro de um cenário já conhecido.

Só percebemos os nossos mais profundos medos quando tudo acumula. Quando aquilo que estava preso esbraveja para sair. É a sua natureza renascendo.

As maiores indecisões de nossas vidas são criadas por que não buscamos o autoconhecimento. Não procuramos sentir e entramos em um mundo só nosso, uma realidade paralela onde tudo sempre vai dar errado.

Entre as mensagens que mais recebo estão as de pessoas infelizes com seus relacionamentos. Ao questioná-las sobre os motivos da infelicidade e por que não tentam uma vida nova, as respostas são quase sempre as mesmas: medo de se envolver com alguém do mesmo sexo, medo da solidão, medo de uma nova experiência, medo do que os outros vão falar, medo, medo e medo.

Vivemos sob o medo, porque ele é mais confortável, mais quentinho, mais familiar. Ele não nos incentiva a mudar, a nos arriscarmos, a nos enfrentarmos. Por que para sair de uma zona conhecida, precisamos gerar um desconforto interno e, por vezes, profundamente irritante.

Dizem que nascemos sozinhos no mundo. O equívoco está em acreditar nisso. Nós ficamos sozinhos quando o cordão umbilical é cortado. E desde então somos obrigados a enfrentar a realidade sem a ligação que antes nos fazia sobreviver, mesmo que essa ligação esteja por perto na maior parte dos nossos primeiros anos de vida. Para alguns nem nos primeiros anos.

Para quem consegue esse acompanhamento maternal sabe que nem sempre está resguardado. Nossas mães não estarão por perto toda vez que caímos ou batemos a cabeça na ponta da mesa.

Vamos cair e dar cabeçadas sozinhos sempre, mesmo achando que precisamos de alguém que nos proteja a todo o momento. Queremos a familiaridade do convívio, queremos alguém que supra a nossa carência a todo o momento.

Alguém que não corte o cordão umbilical e nos proteja das cabeçadas. Mas esse alguém não existe. Nem o poder de um grande amor poderá completar o vazio que reside na nossa alma. O segredo está em aprender a conviver com esse vazio para nos libertarmos.

E a liberdade é quando nos permitirmos sofrer para depois sorrir. E ao sorrir termos a consciência de que poderemos sofrer de novo, mesmo que já estejamos mais preparados para as próximas rodadas. Deixar de viver intensamente e seguir o que você realmente sente pode ser um dos maiores riscos que você está correndo.

Vazio

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