A violência física doméstica não é algo restrito a casais heterossexuais. Ela também acontece em relacionamentos lésbicos e raramente entra no debate da comunidade LGTB.

A lésbica que agride a parceira reproduz a dominação que muitos homens costumam exercer em mulheres. A parceira é encarada como uma posse e começa a adquirir um crescente sentimento de inferioridade.

A abusadora geralmente emprega discursos ofensivos, que fazem a vítima se sentir culpada por quem ela é ou por algo que ela tenha feito. Em roda de discussão da comunidade LGTB da qual participei, uma mulher da plateia relatou a violência de uma lésbica contra sua parceira bissexual. Nas discussões em que tentava justificar a agressão, a lésbica constantemente criticava a parceira por ser bissexual – um visível ataque bifóbico.

 

A pessoa abusada começa a adquirir um sentimento de culpa intenso e não consegue se desvencilhar. Em seu íntimo, mesmo que ela saiba o quanto a relação é maléfica, há uma intensa insegurança de abandonar a relação. Inexplicavelmente, essa vítima se sente protegida e segura ao lado da “pessoa amada”.

Mesmo quando não há agressão e uma constante pressão psicológica, a violência existe. E é o que podemos chamar de relacionamento abusivo - uma tentativa frequente de controlar e isolar a parceira do mundo. É sentenciar diariamente que a pessoa abusada pertence apenas à abusadora.

Você não vive uma relação atípica. Há outras lésbicas e bissexuais passando pela mesma situação. Compartilhem suas histórias e criem uma rede de ajuda para escapar desse relacionamento.

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